quinta-feira, fevereiro 22, 2018

Al Williamson


Entre os desenhistas surgidos na década de 1950, um deles se revelou um verdadeiro mestre, à altura de gente como Hall Foster e Alex Raymond. Seu nome era All Williamson.
Williamson nasceu em New York, no ano de 1931, mas logo sua família se mudou para a Colômbia, onde ele permaneceu até 1943. Durante a infância, All lia, basicamente, revistas em quadrinhos mexicanas com material mexicano e argentino. O quadrinho argentino iria influenciá-lo por muito tempo. Mas a sua grande inspiração foi o desenhista americano Alex Raymond. Williamson, ainda criança, assistiu uma fita do seriado de Flash Gordon e ficou encantado. A partir de então tornou-se absolutamente fã das histórias de Raymond. Quando voltou para os EUA, o garoto já se decidira que iria ser quadrinista. Assim, inscreveu-se na escola de Arte Visual, de Burne Hogart, desenhista de Tarzan. All era um bom aluno, mas o atrito entre os dois era inevitável: Hogart insistia que os alunos seguissem o seu estilo, e All preferia seguir o estilo de Alex Raymond. Apesar das desavenças, Hogart chegou a dar três páginas dominicais para que o jovem desenhista as trabalhasse a lápis.
Depois disso, All Williamson foi desenhando várias histórias até se tornar um dos desenhistas mais importantes dos anos 50 e 60 nos EUA. Entre 1952 e 55 ele trabalhou na EC Comics, que foi a meca dos quadrinhos de qualidade nos EUA  antes de ser perseguida pelo marchatismo. Depois disso, fez trabalhos a Warren (cujas histórias saiam no Brasil na extinta Kripta). Mas em 1966 o garoto que adorava os seriados de Flash Gordon teve a oportunidade de desenhar o seu herói. All Williamson desenhou três números da revista Flah Gordon (algumas dessas histórias saíram no Brasil em revistas da RGE). Foi o bastante para demonstrar que ele era o seguidor mais talentoso de Alex Raymond. Tanto que a King Features Syndicates o chamou para desenhar as tiras de Agente Secreto X9, outro personagem criado por Raymond. Os roteiros ficaram a cargo de Archie Goodwin. Goodwin tem uma característica interessantes. É um desses roteiristas que não conseguem trabalhar com super-heróis (suas histórias no gênero são sofríveis), mas que se movimenta muito bem no gênero policial. As histórias criadas por Goodwin para X-9 estão entre os melhores quadrinhos policiais de todos os tempos e são, inclusive melhores que algumas das histórias de Dashiell Hammett, que escrevia o personagem na época em que Alex Raymond desenhava.
            Goodwin e Williamson  reformularam completamente o personagem, dando à tira um toque de espionagem. O nome da tira, inclusive, foi mudado para Agente Secreto Corrigan. A dupla esteve a cargo do personagem de 1967 até 1980. Depois disso All Williamson fez poucos trabalhos pessoais e chegou até mesmo a fazer arte-final para John Romita Jr quando este desenhava o Demolidor. O que é lamentável, pois, embora Romita não seja um desenhista ruim, seu traço é bastante simples e não chega nem de longe à sofisticação de Williamson.
            All Williamson começou a desenhar X-9 numa época em que o feminismo estava em alta e, da revolução sexual parecia estar surgindo uma nova mulher. Seus desenhos refletem isso. As moçoilas que contracenavam com o agente secreto Corrigan não eram simples coadjuvantes, prontas a pedir socorro ao menor sinal de perigo. Ao contrário, eram mulheres liberadas e valentes. Williamson as fazia vestidas com calças justas e botas, mas ainda assim elas continuavam extremamente femininas.
            Outro trabalho importante do desenhista, até hoje lembrado pelos fãs, foi a quadrinização dos primeiros filmes da série Guerra nas Estrelas. 

O macaco que se fez homem


O macaco que se fez homem foi um dos primeiros livros de Monteiro Lobato. Lançado em 1923, depois seus dez contos foram espalhados por outros dois livros do autor: Cidades Mortas e Negrinha. Ao relançar a obra de Lobato, com um novo e inovador formato gráfico, a editora Globo resolveu manter a programação original dos livros, reunindo novamente os dez contos em volume separado.
O livro é um apanhado de textos diversos, que vão da alegoria à experimentação, passando pelos famosos “causos” do autor.
O conto que dá nome ao livro é provavelmente o mais fraco do volume. Lobato constrói uma alegoria satírica sobre a origem do homem (a humanidade teria sua origem em um macaco que caiu da árvore, bateu a cabeça e desenvolveu uma coisa chamada inteligência).
Lobato passa longe de ser um bom alegorista (como era Machado), mas tem seus momentos inspirados, em especial quando Deus prediz o destino do macaco vitimado pela queda e seus descendentes: “Seu engenho criará engenhosíssimas armas de alto poder destrutivo – e empolgado pelo ódio se estraçalharão uns aos outros em nome de pátrias, por meio de lutas tremendas a que chamarão de guerras, vestidos macacalmente, ao som de músicas, tambores e cornetas – esquecidos de que não criei nem ódio, nem corneta, nem pátria”.
Os melhores textos da antologia são os chamados “causos” lobatianos. Há no volume aos montes e todos muito bons: do homem que se dizia o salvador da lavoura nacional e que, ao ter sua própria fazenda, vê às voltas com uma inesperada nuvem de gafanhotos à história do homem azarado, desrespeitado por todos, inclusive pelos filhos, que vê sua sorte mudar ao tornar-se cego. Todos trazem uma estrutura bem elaborada, que inclui humor, ironia e profundo conhecimento da alma humana. E são narrados como quem conta uma história a um ouvinte em um bar ou farmácia, como era comum na época.
Um dos textos que fogem dessa estrutura é “Tragédia de um capão de pintos”, um dos destaques do livro. Lobato conta a história de um galo perneta, incapaz de gerar filhos, que é colocado para cuidar de três pequenas aves: um pinto, um marrequinho e um peruzinho. Antecipando em vários anos A revolução dos  bichos, de George Orwell, Lobato se debruça sobre os animais da fazenda, narrando a história do ponto de vista deles, inclusive sobre as injustiças de que são vítimas. O trecho sobre como os animais viam cada habitante humano da fazenda e os nomeavam é particularmente interessante. Tragédia de um capão de pintos é uma história sensível, que, em muitos sentidos, reflete outro conto famoso, Negrinha, ao mostrar o ponto de vista da vítima contra os poderosos, donos de seus destinos.
Também merece destaque “Marabá”, um texto experimental que mostra o quanto Lobato era próximo da estética modernista. A certo ponto o autor simplesmente ignora a forma literária a e começa a narrar a história como roteiro cinematográfico, inclusive sugerindo ao produtor o nome da atriz que deveria protagonizar o filme.

Embora seja um volume de contos, a filosofia de vida de Lobato perpassa todos os textos, a exemplo de “Fatia de vida”. Na introdução do conto, Lobato contrapõe os que pensam por sua própria cabeça e o “toda gente”. O “esquisitão” é quem se nega a aderir ao moloch social, a abraçar cegamente um grupo ideológico, político ou religioso. É um suspeito, um indesejado. Se puderem, eliminam-no: “Assombramo-nos ao recordar os crimes de grupo que enchem a história – Santo Ofício, guerras, matanças religiosas”. 

O sono da razão produz monstros

A obra que melhor representa os tempos atuais. Museu de Belas Artes - Buenos Aires.

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Entrevista dirigida

A entrevista dirigida é um método diferente do questionário, em que o informante apenas escolhe uma entre várias possibilidades. Enquanto o questionário já tem perguntas e respostas fechadas, na entrevista apenas as perguntas são fechadas, ficando as respostas por conta do informante. Mas importante: todos os informantes devem responder às mesmas perguntas para que seja possível a tabulação das respostas.

Exemplo:
Qual o sabor de sorvete que você mais gosta?
         É possível fazer questionários mistos, com perguntas abertas e fechadas, especialmente quando se torna difícil prever todas as possibilidades de respostas.
Exemplo:
Você trabalha? (  ) Sim (  ) Não
Qual a sua profissão?

         No caso acima a impossibilidade de prever todas as respostas para a pergunta faz com que o melhor seja deixar a resposta em aberto. 

A arte impressionante de Mike Mignola


Mike Mignola é um artista norte-americano conhecido por seu estilo expressionista com fortes contrastes, perfeita para quadrinhos de terror. Ele ficou famoso no Brasil com a publicação a revista Um conto de Batman - Gotham City, em que o Cavaleiro das Trevas enfrenta Jack, o estripador.  Outro trabalho de destaque foi a graphic Marvel Dr. Estranho & Dr. Destino Triunfo e Tormento. Mignola foi desenhista do filme Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola. Sua criação mais famosa é Hellboy. 














terça-feira, fevereiro 20, 2018

Eugênio Colonnese: o gênio do terror nacional


Eugênio Colonnese foi um dos mais importantes desenhistas de quadrinhos do Brasil. Italiano radicado no país há mais de quatro décadas, ele faleceu na madrugada do dia 8 de agosto de 2008.
     Colonnese começou sua carreira na Argentina, em 1949. Passou vários anos naquele país, trabalhando em revistas de sucesso, mas em 1964 veio para o Brasil, onde ajudou a fundar o estúdio D´Arte em parceria com o argentino Rodolfo Zalla. Juntos, produziram histórias em quadrinhos dos mais diversos gêneros, indo dos quadrinhos de guerra aos de super-heróis. Mas foi o terror que tornou Colonnesse uma celebridade, especialmente por causa da criação de Mirza, provavelmente a primeira heroína vampira dos quadrinhos.
     Também criou o Morto do Pântano, um personagem de nome muito parecido com o Monstro do Pântano, que faria sucesso anos depois na DC Comics.
     Na década de 1970, ele abandonou os quadrinhos para se dedicar à ilustração de livros didáticos para editoras como Ática e FTD. Acabou se tornando um paradigma do gênero, trazendo a linguagem dos quadrinhos para os livros escolares. Seu traço elegante era facilmente reconhecível pelos fãs, muitos dos quais ainda guardam esses livros apenas por causa das ilustrações.
     Na década de 1980, quando o amigo Zalla transformou a D´arte em editora e começou a publicar as revistas Calafrio e Mestres do Terror, Colonnese voltou aos quadrinhos, fazendo antológicas histórias de terror.
Também ficaram célebres as histórias em quadrinhos institucionais que ele fez para o Instituto Universal Brasileiro, nos anos 1980.           
     Em todos os trabalhos, Colonnese sempre se revelou um exímio artista, com um traço detalhista, anatomicamente perfeito, e uma habilidade fora do comum para desenhar mulheres.
     Nos anos 1990 ele continuou na ativa, produzindo obras como A Arte exuberante de desenhar mulheres (Opera Graphica), Curso Completo de Desenho (Escala), ilustrou duas aventuras de Mister No, para  a editora italiana Bonelli e criou novas personagens, como Bruuna. Um de seus últimos trabalhos foi o álbum War – histórias de guerra (Opera Graphica), com roteiro de Gian Danton.

     Poucos meses antes de morrer, Colonnese finalizou a graphic novel A Vida de Chico Xavier, sobre o mais importante médium brasileiro.

Museu Monteiro Lobato

Tive a oportunidade de visitar o Museu Monteiro Lobato, no sítio do escritor, em Taubaté. É emocionante conhecer a casa em que Lobato escreveu alguns dos seus melhores textos, com destaque para o livro Urupês. Infelizmente há pouca informação sobre o escritor, faltam legendas, textos explicativos e principalmente material interativo e audio-visual (vídeos, áudios etc). Para alguém revolucionário como Lobato, o museu parece bastante conservador. Entretanto, vale a visita (se estiver com crianças, há apresentações teatrais nos finais de semana). Se passar por Taubaté, não deixe de conhecer o Museu, que fica praticamente no centro da cidade. Confira as fotos. 
Há várias estátuas dos personagens espalhadas pela área do Museu. 

A casa-sede da fazenda do Lobato, agora sede do Museu. 





Certidão de batismo e de óbito do escritor. 


Uma das poucas salas com cara de museu moderno, dedicada às pinturas do escritor. 

Algumas das edições mais antigas de livros de Lobato (tenho a maioria dessas edições)





Quadrinhos que me marcaram


Essas são quatro 4 revistas em quadrinhos que me marcaram. Superaventuras Marvel 5 foi o primeiro gibi de heróis que li, numa fila de banco. 

Superaventuras Marvel 25 foi o primeiro gibi que comprei e marcou o início da saga da Fênix Negra, a melhor dos X-men de todos os tempos. 

Fêmeas foi a primeira publicação da Grafipar que li e foi quando percebi que os quadrinistas brasileiros não deixavam nada a dever aos americanos (em especial Mozart Couto, que assina a maior parte da edição. Me marcou a ponto de eu escrever um livro sobre a editora. 

Finalmente, Watchmen me fez ter uma outra visão dos quadrinhos e foi tema do meu TCC e da minha dissertação de mestrado.

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

A impressionante arte detalhista de Alex Niño

Alex Niño é um artista filipino nascido em 1940. Em 1971 ele foi recrutado por Joe Orlando para trabalhar na DC Comics e começou uma aclamada carreira nos comics americanos, com passagens pela Marvel, Heavy Metal e Warren. Aqui no Brasil ele ficou conhecido principalmente através da revista Kripta. Seu desenho detalhado com páginas duplas impressionantes estavam entre os mais queridos pelos leitores.