quarta-feira, abril 18, 2018

A arte regionalista de Almeida Júnior


Almeida Júnior foi um dos mais importantes pintores brasileiros do século XIX. Com o apoio de D. Pedro II foi estudar na Europa, onde teve contato com os artistas realistas. Isso, associado a suas origens humildes fez com que ele se concentrasse em temas rurais e regionalistas. Foi o artista que melhor retratou o ambiente da roça. Era o artista predileto de Monteiro Lobato, que dedicou a ele vários textos.







terça-feira, abril 17, 2018

Crepax: a psicanálise chega aos quadrinhos


O quadrinho erótico sofisticado, surgido na França, encontrou na Itália o seu ponto de maior sucesso de público e crítica.
Gonçalo Júnior, no livro Tentanção à Italiana, diz que as HQs eróticas italianas foram diretamente influenciadas pelos filmes de cineastas como Fellini, Visconti e Pasolini e pelas transformações  pelas quais passava a sociedade italiana da época, que abandonava a rígida moral católica para entrar de cabeça na revolução sexual.
Entre os autores que se destacaram por colocar o quadrinho erótico italiano na categoria de o mais popular e respeitado do mundo, um nome se destacou por ter sido o primeiro a explorar o erotismo como uma forma de arte e pelo uso arrojado da linguagem quadrinística: Guido Crepax.
Crepax se interessou por quadrinhos desde muito pequeno. Aos 12 anos, ele fez a adaptação do romance O Médico e o Monstro. Quando cresceu, estudou arquitetura, engenharia e ficou famoso pelas capas de LPs e pelas ilustrações para livros, revistas e publicidade. Com o tempo, começou a ser visto como um artista gráfico revolucionário.
Em 1965 surgiu a revista Linus, voltada para fãs de quadrinhos. Era dirigido por alguns dos mais importantes intelectuais italianos, entre eles o filósofo Umberto Eco. Crepax foi convidado a colaborar por causa de seu trabalho gráfico inovador. Para sua estréia, ele criou o personagem Neutron, uma espécie de super-herói com poderes mentais. Logo na primeira história, ele é apresentado a uma elegante fotógrafa chamada Valentina. A personagem chamou tanta atenção dos leitores, que o desenhista resolveu transformá-la em protagonista, abandonando Neutron.
Fisicamente, a personagem era semelhante a Elisa Crepax, mulher do desenhista, com cabelo curto e franja cobrindo toda a testa. Valentina lembrava também, e muito, a atriz norte-americana Louise Brooks, estrela do filme “A caixa de Pandora”, de 1929. Crepax era tão apaixonado pelo filme que resolveu homenageá-lo em sua série. Assim, Valentina resolvera adotar aquele visual após assistir ao filme, como ele explicaria mais tarde.
A personagem era independente e sensual, encarnando a mulher de seu tempo e tornando-se símbolo da revolução sexual. Também se diz que foi em Valentina que Freud encontrou os quadrinhos eróticos. Cada HQ de Valentina era como uma sessão de terapia, na qual ela liberava suas fantasias eróticas com uma imaginação desenfreada. Outro em ponto em contato com os anos 1960 eram as viagens psicodélicas (embora estas não fossem motivadas por drogas). A personagem imaginava-se em meio a fantasias lésbicas, sadomasoquisas e surreais.
Os recursos gráficos usados por Crepax eram absolutamente inovadores para a época, com closes, planos detalhes, cortes bruscos e uso genial do claro-escuro e da hachura. Além disso, Crepax transformou os cenários e a até as roupas em elementos que ajudavam a compor a história. Poucas vezes a lingiere foi mostrada tão detalhadamente em uma HQ e certamente nunca a roupa íntima feminina serviu tão bem aos propósitos eróticos.
Depois do sucesso de Valentina, Crepax criou Bianca, uma aluna em um colégio interno, e Anita, que ficou famosa ao fazer sexo com o televisor. Mas o auge da carreira desse quadrinista foram as adaptações de obras literárias eróticas, como A história de O, Emmanuele e A Vênus das peles.
Nessas obras, Crepax não se esmerava em desenhar homens. Muito pelo contrário, eles constantemente pareciam grotescos, mas caprichava nas mulheres. Elas eram sempre altas, magras e sensuais.

Quando Crepax morreu, em 2003, era uma celebridade que abrira as portas para que os quadrinhos eróticos italianos fossem vistos como uma forma de arte. 

O que foi o Tratado de Versalhes?



O Tratado de Versales foi a rendição alemã, assinada após a I Guerra Mundial, em 1919. Os vitoriosos se dividiram quanto aos termos do tratado. A Inglaterra e os EUA queriam que a Alemanha continuasse um país capitalista para impedir o avanço do comunismo. Mas a França faz exigências que mergulhariam o país numa crise que desembocaria no nazismo.
O Tratado atribuía à Alemanha a responsabilidade pela guerra. Foram retirados oito partes de seu território, fazendo com que também sua população tivesse uma diminuição considerável. Todas as colônias alemãs ficaram com a Inglaterra e a França. Pelas clásulas do tratado, a Alemanha só poderia ter um exército de 100 mil homens, e apenas para auto-defesa.
O país não poderia construir tanques, submarinos ou aviões, e deveria desativar completamente sua indústria bélica. O comando militar foi destroçado com a proibição de existência de uma escola de guerra.
Mas os principais resultados negativos do Tratado se deram no campo econômico. As indenizações a ser pagas por esse país aos vencedores corroiam a economia nacional. O país mergulhou numa crise violenta, com inflação galopante.
O Tratado, embora fosse severo em regras, tinha a falha de não apresentar mecanismos para o cumprimento dessas regras. Isso deu margem ao ressurgimento do nacionalismo, que agora ressurgia radical e racista, pautado no ódio aos judeus e comunistas, vistos como responsáveis pela derrota na guerra.

segunda-feira, abril 16, 2018

The Spirit – as novas aventuras



Spirit é um dos mais queridos e mais clássicos personagens dos quadrinhos. Criado por Will Eisner na década de 1940, o personagem revolucionou a narrativa gráfica esbanjando as potencialidades da linguagem e criando recursos únicos, como prédios que formavam o título da história ou o nome do personagem. Além disso, a série revolucionou ao focar não só no protagonista, mas principalmente em personagens secundários, o que dava um toque muito humano à série.
Por ser um personagem autoral, Eisner não autorizava que a editora que publicava o personagem desde a década de 1970, a kitchen, fizesse histórias do herói com outros autores.
Em 1998 o editor convenceu o Eisner a finalmente permitir uma publicação com vários autores mostrando suas versões do personagem. O resultado é o álbum publicado pela editora Devir.
O resultado é irregular. Algumas histórias conseguem captar a essência inovadora do personagem – outras são simplesmente histórias do personagem.
Entre o melhor da edição estão as histórias escritas por Alan Moore e desenhadas por Dave Gibbons, que abrem a edição. As duas HQs interligadas conta a origem de dois dos principais vilões do Spirit: O Cobra e o Octopus. As duas, ao focarem nos vilões, exploram seus lados humanos, inclusive com as contradições entre as duas narrativas. A ironia entre o que ambos relatam e o que de fato acontece cria alguns dos melhores momentos dessas HQs.
A dupla ainda entrega outra história genial, agora sobre o assistente do Doutor Cobra, que teria morrido na primeira história do Spirit. Moore, como sempre, costura tudo, aproveitando as pontas soltas das histórias originais.
Outro ponto alto do álbum é “Domingo no parque com São Jorge”. O desenho underground de Dan Burr se encaixa perfeitamente com a narrativa de Jim Vance sobre o dia em que Spirit foi convencido a descansar no parque – o que, claro, o coloca em uma tremenda confusão.
Temos ainda Neil Gaiman fazendo o que Neil Gaiman sempre faz: uma história sobre um escritor escrevendo algo que se entremeia à narrativa. No caso, um roteirista de cinema que tenta escrever um roteiro policial e se depara com o Spirit investigando um caso real. Apesar do clichê a la Gaiman, é uma HQ divertida.

domingo, abril 15, 2018

Heróis da TV 40

Publicada em outubro de 1982, a revista Heróis da TV 40 trazia como principal atração a origem de Conan por Roy Thomas e Barry Windor-Smith. Essa história é considerada fraca até mesmo pelos autores, então a editora havia introduzido o personagem com histórias melhores e só depois publicou sua origem com uma capa que não era a original. Conan se tornaria o personagem mais popular dessa fase da Marvel na Abril.

sábado, abril 14, 2018

A arte de Murphy Anderson, o homem de prata


Murphy Anderson foi um dos principais nomes da DC na era de prata dos super-herois. Seu trabalho em personagens como Adam Strange se tornaram antológicos. Confira algumas de suas obras.











HQ de Gian Danton e Edgar Franco é capa de revista científica


Página de HQ do Ciberpajé e de Gian Danton são capa da revista acadêmica "Cadernos Zygmunt Bauman" (V.6, n.12), da UFMA.
A convite dos editores da revista acadêmica "Cadernos Zygmunt Bauman", o Ciberpajé e o roteirista Gian Danton cederam a arte de uma página da HQ "A Caverna", criada em parceria pelos dois, para ser a capa do Volume 6, Número 12 (2016) da publicação. 

"Cadernos Zygmunt Bauman" é um periódico da Universidade Federal do Maranhão, nas seguintes áreas de concentração: Interdisciplinar, Direito, Serviço Social, Filosofia, Sociologia, Psicologia e Desenvolvimento Regional. A revista pode ser acessada gratuitamente neste link.

sexta-feira, abril 13, 2018

Como o partido dos trabalhadores alemães virou partido nazista?



Com o tempo, a participação de Hitler no Partido dos Trabalhadores Alemães foi se tornando mais e mais forte e, em 1920 ele acrescentou as palavras “Nacional Social” à legenda. O objetivo era mostrar a amplitude de sua área de atuação. O partido passou a chamar-se Partido Nacional-social dos trabalhadores alemães, ou partido nazi, como ficou mais conhecido.
Com o sucesso do partido, Hitler abandonou o exército para se dedicar exclusivamente à sua vida política.
Ele logo descobriu que, além de bom orador, gostava de dirigir grandes espetáculos e passou a preparar marchas e demonstrações públicas que davam visibilidade ao partido. Além disso, ele desenhou cartazes dramáticos, adotou a suástica como símbolo e instituiu a saudação nazista, com o braço levantado e a mão esticada. O gesto era uma imitação da saudação dos soldados romanos.
Essa visibilidade fez com que o povo começasse a respeitar cada vez mais o partido nazi.


Você sabe a diferença entre ficção e fraude?


Atualmente nos quadrinhos, na literatura, na arte, existem trabalhos tão hiper-reais, tão verossimilhantes que muitos acreditam que se trata de realidade. Por conta dessa confusão, há quem diga que trabalhos que utilizam essa estratégia são na verdade fraudes.
Isso aconteceu, por exemplo, com o e-book Delegado Tobias, de Ricardo Lísias. A narrativa usa recortes de jornais e documentos jurídicos fictícios e vários outros simulacros para tecer a narativa.
Alguém, ou ingênuo, ou mal-intencionado, denunciou-o à justiça por falsificação de documentos jurídicos e instalou-se um processo para investigar o caso. Justiça federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal foram mobilizados para investigar o caso, com enorme gasto de dinheiro público. Quando ficou claro do que se tratava, cada órgão jogou a culpa no outro e todos declararam que não investigavam ficção. A própria justiça teve que declarar oficialmente aquilo que todo mundo deveria saber: falsificação é falsificação e ficção é ficção (por mais verossimilhante que seja).
A situação é simples: se o autor do livro tivesse entrado num fórum e adulterado documentos jurídicos reais, ele estaria cometendo uma fraude. Ao criar um documento jurídico e incluir em seu livro, o autor só está criando... ficção.
Um outro exemplo, famoso, agora na área de quadrinhos.

No final de cada capítulo de Watchmen, o leitor encontra uma série de anexos: matérias de jornais, recortes de artigos e até o prontuário médico do personagem Roschach.
Esses anexos são fraudes? Não.
Seria uma fraude se Alan Moore tivesse, por exemplo, ido em uma clínica médica e modificado o prontuário de um paciente real. Mas criar o prontuário médico de um personagem fictício é apenas... ficção!
Mas Gian, eu acreditei que determinado personagem de um quadrinho existia! No quadrinho que eu li tinha até a carteira de identidade dele! Isso não é uma fraude?
Não. Isso só demonstra que o autor do quadrinho conseguiu usar bem a verossimilhança para caracterizar esse personagem.
Isso seria uma fraude se, por exemplo, alguém criasse um personagem chamado Peter Parker e forjasse uma carteira de identidade dele para inscrevê-lo no tribunal eleitoral para que esse "personagem" pudesse votar. Ou usar essa identidade para pegar dinheiro emprestado e não pagar.
- Mas, Gian, o quadrinista cobrou pela HQ. Então ele teve lucro. Isso não é fraude?
Claro que não. Se fosse assim, qualquer um que vendesse uma HQ estaria incorrendo em fraude, já que toda HQ usa em maior ou menor grau, estratégias de verossimilhança.
O que caracteriza a fraude é a manipulação de DOCUMENTO OFICIAL visando prejudicar alguém. E todos nós sabemos, crianças, que uma história em quadrinhos não é um documento oficial. História em quadrinhos é apenas... ficção!

quinta-feira, abril 12, 2018

X-men - A Fênix Negra


Embora já começassem a chamar a atenção desde o início da nova fase, os X-men só se tornaram um sucesso estrondoso a partir da saga de Protheus.
Protheus era um mutante extremamente poderoso, capaz de manipular a realidade. Mas tinha um defeito: para viver, precisava possuir corpos de pessoas, que não sobreviviam muito tempo. Essa necessidade constante de corpos criaria uma verdadeira carnificina por onde ele passava.  
A trama mostrava que a série era revolucionária e estava anos luz à frente da maioria dos quadrinhos publicados na época.
Para começar, havia a violência. Protheus era um vilão de verdade, que matava pessoas friamente e representava um perigo real para a humanidade. A relação dele com o pai, de amor e ódio, mostrava um aspecto psicológico avançado para os gibis de super-heróis. Até mesmo seu poder de alterar a realidade, era algo novo nos quadrinhos.
Diante de um inimigo tão perigoso, só restou uma opção aos X-men: matá-lo usando contra ele sua única fraqueza: o metal.
Na década de 1970, super-heróis não matavam, sob circunstância nenhuma, mas a revista dos X-men estava mudando padrões.
A saga seguinte cairia como uma bomba nos gibis de super-heróis e seria a grande responsável pela popularidade do título nos anos seguintes.
Os autores resolveram trazer a Fênix de novo, mas como lidar com uma personagem que tinha poderes muito maiores do que os dos outros membros? Simples: transformando-a em uma vilã!
A Saga da Fênix mostrava a personagem tendo flashbacks do que parecia ser uma encarnação passada dela, em que ela participava do Clube do Inferno, sendo esposa de um dos seus líderes, Jason Wyngarde. Na verdade, tratava-se de uma trama de um antigo inimigo dos X-men, o Mestre Mental, que pretendia dominar a heroína para usar seus poderes em interesse próprio.
A revista começou a chamar a atenção dos chefões de Marvel e a equipe acabou sofrendo duas interferências editoriais.  A primeira delas é que a Mansão X deveria justificar o nome de Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier e, portanto, deveria ter pelo menos um aluno. A segunda é que a revista deveria ser usada como trampolim para o lançamento de uma personagem baseada na dance music, Cristal.
Claremont e Byrne fizeram Xavier voltar à equipe e pedir para seus pupilos contatarem duas novas mutantes. Uma delas era Cristal, a outra era uma jovem chamada Kitty Pryde que tinha poderes de atravessar a matéria.
Kitty Pride acabou sendo um achado, pois providenciou uma identificação com o público jovem. Além disso, ela foi a primeira heroína declaradamente judia dos quadrinhos.
Em busca das duas novas mutantes, os X-men acabam tendo de enfrentar o Clube do Inferno e uma nova vilã, a Rainha Branca. Essa personagem fez grande sucesso com os leitores. Era loira, linda, e só usava roupas fetichistas.
Os heróis conseguem derrotar os oponentes e decidem entrar na sede do Clube do Inferno para descobrir porque estavam sendo caçados. Ao entrarem na sede do clube, acabam sendo derrotados depois que o Mestre Mental toma o controle da Fênix, que passa a se chamar Rainha Negra.
Um único mutante sobrevive: Wolverine, e a ele resta a missão de libertar os companheiros. As sequências em que ele anda pelos esgotos, derrotando os inimigos é seu ponto máximo. A partir dali, ele se tornaria o herói mais popular dos X-men e um dos mais populares dos gibis de super-heróis.
Wolverine consegue libertar os amigos e Fênix, liberada do domínio do Mestre Mental, vinga-se do Clube do Inferno. Mas a saga estava apenas chegando ao seu ápice. Na sequência, Jean Grey perde o controle e transforma-se na Fênix Negra.
A nova criatura derrotou facilmente os X-men e foi para o espaço alimentar-se. Sua fome de poder era tão grande que ela sugaria a energia de uma estrela. Byrne achou que devorar uma estrela não teria tanto impacto se nas proximidades não tivesse um planeta habitado. Assim, ele retratou um planeta seres inteligentes sendo destruído no processo.
A idéia dos autores para a continuação dessa trama era simples: Fênix voltava para a Terra, derrotava os X-men, mas o Professor Xavier, com a ajuda do lado bom de Jean, acabaria afastando a Fênix Negra e reduzindo os poderes da heroína aos níveis de quando ela se chamava Garota Marvel. Em seguida, a imperatriz Lilandra, do Império Shiar, aparecia e levava os X-men para a Lua, onde eles deveriam combater a Guarda Imperial. Com a vitória da Guarda, Jean passaria por um processo no qual perderia todos os seus poderes e sairia do grupo. Com isso, o problema dos super-poderes da Fênix (que dificultava a elaboração dos roteiros) seria definitivamente resolvido.
Acontece que nesse período a edição que mostrava a Fênix destruindo um planeta habitado caiu nas mãos do editor-chefe da Marvel, Jim Shooter e esse ficou horrorizado. Para ele, não havia a opção final feliz. A personagem tinha que sofrer. Ele exigiu que a personagem fosse enclausurada num asteróide, onde seria torturada por toda a eternidade. Claremont e Byrne, ao ouvir essa exigência, disseram: Por que não a matamos de uma vez? E foi isso que fizeram. A edição, que já estava pronta, foi retrabalhada para que a Fênix acabasse se suicidando para evitar se transformar novamente na Fênix Negra.

A morte da personagem causou uma comoção sem tamanho entre os fãs. Nunca tinha acontecido de uma personagem importante, em plena ascensão, morrer nos gibis de super-heróis. A edição com a morte esgotou rapidamente e, a partir daí o título começaria seu caminho para se tornar o mais vendido do mercado. 

quarta-feira, abril 11, 2018

A arte hiper-real de Ron Mueck

Ron Mueck é um artista australiano radicado na Gran Bretanha. Seu trabalho reproduz figuras humanas com perfeição hiper-real, mas em escalas estranhas (ou muito pequena ou muito grande), que desconsertam o expectador e o levam a um outro olhar sobre a realidade.











Qual é a origem da suástica?



A suástica, também chamada de cruz gamada é um símbolo místico encontrado em muitas culturas, em povos tão diferentes quanto os índios hopi, os astecas, os gregos e os hindus. Algumas, como a celta é bem diferente, mas a suástica budista e hopi são quase idênticas às nazistas, com a diferença de que essa última foi rodada de modo a um dos braços ficar no topo. No budismo a suástica tem significado de bons ventos. Outro significado possível é boa sorte.
Alguns autores acreditam que Hitler usou o símbolo por sua semelhança com uma engrenagem, para simbolizar a revolução industrial que este pretendia fazer na Alemanha.
A suástica reapareceu no ocidente graças ao trabalho do arqueólogo Heinrich Schliemann, que descobriu o símbolo num sítio arqueológico na cidade de Tróia. Ele fez uma conexão entre esses achados e antigos vasos germânicos e teorizou que o símbolo tinha um significado religioso que ligava os povos germânicos à cultura grega.
Os nazistas aproveitaram essa idéia e adotaram a suástica como símbolo da raça ariana e da supremacia da raça branca. Hitler chegou a afirmar que a suástica representava originalmente o fim do povo judeu.
Assim, de símbolo religioso de bons agouros, comum a muitos povos, a suástica passou a representar o fascismo e o racismo. Após a II Guerra, com a vitória dos Aliados, o símbolo mudou de significado e hoje está associado às atrocidades cometidas contra os judeus. 

terça-feira, abril 10, 2018

X-men, os filhos do átomo


No final dos anos 1970, uma série de quadrinhos mudou o mercado de super-heróis e, posteriormente, iria mudar a forma como Hollywood via os gibis. Trata-se de X-men.
Esse grupo de heróis foi criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1963 como uma espécie de Quarteto Fantástico adolescente, mas nunca fez muito sucesso. O gibi sempre foi deixado de lado e vivia constantemente de republicações. No início dos anos 1970, o revolucionário desenhista Neal Adams foi contratato pela Marvel para revitalizar os personagens numa série escrita por Roy Thomas. O novo gibi era bom e chegou a fazer algum sucesso, mas os executivos da Marvel não tiveram paciência de esperar e acabaram remanejando os autores para outros personagens.
Assim, os X-men ficaram à deriva, vivendo de republicações ou participações especiais em outras séries até 1975. Nessa época, a empresa dona da Marvel tinha também uma organização que licensiava quadrinhos para diversos países e surgiu a idéia de criar uma série que reunisse heróis dos países em que gibis Marvel eram mais populares. Roy Thomas sugeriu remodelar os X-men, com membros de várias etnias. Para isso, ele chamou o roteirista Len Wein e o desenhista Dave Cockrum, famoso pela facilidade de criar uniformes de personagens.
A idéia original não foi seguida à risca e a nova equipe veio com um herói russo (Colossus), uma africana (Tempestade),  um índio apache (Pássaro Trovejante),  um alemão (Noturno), um japonês (Solaris), um, escocês (Banshee). Um personagem canadense, que havia sido criado como coadjuvante nas histórias do Hulk, chamado Wolverine, foi reaproveitado na nova série, assim como dois personagens da série clássica: Cíclope e a Garota Marvel.
No livro A era de bronze dos super-heróis, Roberto Guedes conta que a criação do grupo partiu de um caderno de Cockrun, no qual ele desenhara várias idéias para uniformes de personagens. Ele e o roteirista misturaram uniformes, poderes, e chegaram a um grupo coeso.
A nova equipe estreou numa história em que eles eram chamados pelo professor Xavier para salvar o mundo de Krakoa, a ilha viva. Essa história fez tanto sucesso que a Marvel resolveu ressuscitar a revista. Mas Len Wein estava ocupado demais com outras séries, e passou a bola para seu assistente, Chris Claremont. Claremont tinha uma facilidade muito grande de trabalhar histórias com grupos grandes e acabou se apaixonando pelos X-men. Tanto que escreveu a revista dos mutantes durante 17 anos, sendo chamado de ¨O senhor X¨.
Com a nova equipe criativa, a revista foi ganhando popularidade, mas estava longe de figurar na relação das mais vendidas. Além disso, havia um problema: embora a revista tivesse apenas 17 páginas (o menor número de páginas que um gibi de super-heróis já teve), Cockrun não conseguia dar conta do serviço. Assim, foi chamado um outro artista, fã da série original, que já havia trabalhado com Claremont na série Punhos de Ferro: John Byrne.
Curiosamente, logo no início o traço de Byrne não agradou, tanto que os editores ainda colocaram Cockrun para fazer as capas. Mas logo ele se tornaria o preferido entre os fãs. Byrne, além de ótimo desenhista, era muito rápido e ajudava nos roteiros, colocando mais ação nas tramas e evitando a tendência de Claremont de transformar a série numa novela de diálogos intermináveis. Para fazer a arte-final foi chamado Terry Austin, dono de um traço muito detalhista, que ressaltava as melhores qualidades do desenho de Byrne. Estava formada a tríade que transformaria  os X-men não só na revista mais vendida do mercado norte-americano, mas também  numa das franquias mais bem sucedidas da indústria do entretenimento, com vários gibis e filmes.
Uma das primeiras mudanças provocadas pela entrada de Byrne na equipe foi a valorização do personagem canadense Wolverine. Como o desenhista também é canadense, ele acabou dando mais ênfase a ele. Na época, o baixinho era tão inexpressivo que a maioria dos leitores nem reparava nele. Com o tempo ele se tornaria o personagem mais popular da equipe.
Byrne chegou no final de uma saga em que a personagem Fênix praticamente salvava o universo sozinha. Essa aventura mostrava a personagem com tantos poderes que parecia impossível continuar fazendo histórias com ela. A solução encontrada durante algum tempo foi simplesmente afastá-la da equipe.
Logo na aventura seguinte, Byrne fez questão de colocar seu conterrâneo em evidência. Nessa história, o governo do Canadá enviava um super-herói local para levar Wolverine de volta para casa. A história chamou a atenção dos leitores para o passado nebuloso do baixinho. Esse seria um dos fatores de sua popularidade: a cada edição os leitores descobriam mais um detalhe sobre o passado desse personagem.

Os X-men viveram uma série de aventuras ao redor do mundo, passando pela Terra Selvagem, Japão e Canadá, para então voltar aos EUA. Aos poucos, os leitores foram percebendo que havia um novo padrão de qualidade sendo estabelecido ali, mas a série só se tornaria um sucesso mesmo com a saga de Protheus. 

segunda-feira, abril 09, 2018

Como era a Alemanha na época do surgimento do partido nazista?



A Alemanha vivia na década de 1920 uma situação totalmente caótica. As reparações de guerra, exigidas do povo alemão, quebraram a economia. Em 1923 o valor do marco, moeda alemã, havia caído tanto que para as donas de casa valia mais a pena acender o fogão com dinheiro do que usá-lo para comprar lenha.
Há relatos de pessoas que entravam em uma fila para comprar pão e, quando finalmente chegavam ao caixa, o preço já havia aumentado.
Com medo de que a Alemanha pudesse se reeguer e tornar-se uma nova ameaça, os vencedores da I Guerra Mundial haviam  procurado privá-la de seus recursos naturais e dividida. O tratado que deu fim à guerra proibia aos alemães possuírem submarinos, aviões militares ou um exército permanente numeroso. A Alemanha e a Áustria não poderiam mais se unir. Além disso, o país perdeu alguns de seus melhores territórios. A Alsácia-Lorena voltou a pertencer à França, a Bélgica tomou posse de Malmédy. A Polônia tomou conta da Posnânia e parte da Prússia. A região de Tirol passou para a Itália e a área dos Sudetos foi entregue à Tchecoslováquia. Dantzig tornou-se um estado livre.
Além disso, os vencedores impuseram à Alemanha pesadas taxas. 38% do capital total do país era entregue aos vencedores da I Guerra, como reparação.   
Privada das regiões com melhores recursos naturais e que abrigavam o grosso das indústrias, obrigada a pagar reparações absurdas, a Alemanha parecia não encontrar saída.

domingo, abril 08, 2018

Não existe pré-projeto de pesquisa



A palavra projeto vem do latim “projectu”, que significa lançar para a frente. Ou seja, é algo que ainda não existe, é algo que está sendo projetado, que só existirá concretamente no futuro.
Em ciência, projeto significa um planejamento da pesquisa, com tema, delimitação, problema, hipótese, metodologia etc. O futuro do projeto dará origema algo pronto, seja um artigo, uma monografia, uma dissertação de mestrado, uma tese.
No entanto, de uns tempos para cá tornou-se comum usar a expressão ‘pré-projeto” de pesquisa. Como é necessário nomear o projeto final, passaram a usar projeto para o resultado da pesquisa. Assim, a monografia vira um projeto, subvertendo completamente o sentido da palavra “projeto”. Se está pronto, não pode ser projeto.
A situação é tão bizarra que dia desses um amigo arquiteto disse que ia me mostrar o projeto de um prédio. Achei que fosse uma maquete, ou uma planta baixa. Cheguei lá era o prédio pronto.
Provavelmente, em algum momento alguém leu um projeto de pesquisa e comentou que estava tão ruim que não era nem um projeto, mas um pré-projeto, ou seja um esboço. Alguém ouviu, achou a palavra bonita e pensou que fosse um elogio. E aí começou a confusão de se chamar o produto final de projeto e o que vem antes de “pré-projeto”.

Então, crianças: não existe pré-projeto. Se ainda não está pronto, se é apenas um planejamento, é projeto. E o produto final é o produto final, não um projeto, seja uma monografia, uma dissertação ou um edifício.  

sábado, abril 07, 2018

O que fazia de Hitler um grande orador?



Assim que entrou para o Partido dos Trabalhadores Alemães, Hitler foi imediatamente eleito para o comitê executivo. Como o  partido não tinha dinheiro, nem visibilidade, Adolf resolveu arriscar tudo, colocando todo o caixa do partido (7 marcos) em um anúncio para a próxima reunião.
Compareceram 70 pessoas, um recorde absoluto para um partido pequeno. Hitler discursou por meia hora e foi aplaudido entusiasticamente. Foi o bastante para que o partido recebesse 300 marcos de doação.
Com o tempo seus discursos começaram a se tornar uma atração em Munique, fazendo com que os quadros do partido aumentasse substancialmente. Era possível cobrar até ingressos em reuniões em que ele discursasse.
O segredo do Hitler era usar um fervor e uma honestidade hipnótica. Na época a maioria dos oradores costumava ser grave e retórica. Hitler acabou com essa formalidade. Ele conseguia provocar uma explosão de risadas com suas zombarias sobre os inimigos para, logo em seguida, criar uma atmosfera pesada. Seus discursos podiam despertar piedade, terror, orgulho e indignação.
Ele falava com propriedade da humilhação de um povo derrotado, pois essa era uma emoção que ele conhecia.
Seus discursos, no entanto, não tinham muitos fatos ou lógica. Eles simplesmente provocavam um topor sobre a platéia, adormecendo a razão e acordando as emoções.

A arte espetacular de John Byrne, o homem dos super-heróis


John Byrne é um desenhista canadense que se tornou mundialmente famoso ao ilustrar os X-men na célebre fase em parceria com Chris Claremont (considerada pela maioria dos fãs como o melhor período dos personagens). Depois ele desenhou quase todos os personagens da Marvel (com destaque para o Quarteto Fantástico) e foi o responsável pela reformulação do Super-homem, na DC. Confira abaixo alguns de seus trabalhos.