sexta-feira, outubro 20, 2017

Edward Mãos de Tesoura e o expressionismo alemão


Ontem assisti, de novo, um dos meus filmes prediletos: Edward Mãos de Tesoura. Foi um pedido da minha filha, que nunca tinha visto. E dessa vez pude reparar melhor nas influências de Tim Burton. O filme mostra a paixão do diretor pelo expressionismo alemão, em especial o filme O gabinete do Doutor Caligari. O visual de Edward é nitidamente baseado no Cesare de Caligari e a interpretação de Johnny Depp acentua isso ainda mais. Além disso, o uso de tetos inclinados e cenários distorcidos (reparem que na enorme cama na qual está deitada a menina que ouve a história) parecem ter saído de Caligari. Finalmente, a narrativa tem a mesma forma de moldura com um narrador que começa contando a história e só volta a aparecer no final. Fica a dica: assistam os dois filmes em sequência para melhor apreciar as semelhanças. 

A arte extraordinária de Mark Schultz


Mark Schultz é um quadrinista norte-americano de fantasia conhecido por sua série autoral  Xenozoic Tales sobre um mundo pós-apocalíptico em que dinossauros e outras criaturas pré-históricas convivem com humanos. O desenhista também teve passagens pela DC Comics, onde desenhou o Super-homem. Confira sua arte espetacular. 







Cidade Sorriso dos mortos vivos


riso dos mortos vivos é um tijolão de 350 páginas, uma das maiores antologias de quadrinho já publicadas no Brasil. Organizada por Antonio Eder e Walkir Fernandes, a coletânea parte de uma premissa interessante: o que aconteceria se Curitiba fosse invadida por zumbis? Eu colaborei com três histórias.

“Só tem zumbi em um quadrinho” é desenhado por Márcio Freire (responsável pelas cores da premiada graphic novel Manticore), com argumento de Antonio Eder e texto meu. Essencialmente, o Márcio queria participar da coletânea, mas desenhando algo no estilo Conan, o Antonio bolou uma ideia e coube a mim justificar tudo. Destaque para a página final, em que eu, Antonio e Márcio aparecemos comentando a HQ. E, sim, só tem zumbi em um quadrinho.

“Os dias são todos iguais” tem roteiro meu e arte de Antonio Eder. O objetivo era fazer uma história sobre alienação. Nela, um rapaz está ouvindo um podcast sobre zumbis e andando pela cidade: está tão concentrado que não percebe que está vivendo um apocalipse zumbi. Destaque para a genialidade narrativa de Antonio Eder, sem o qual a história não teria metade a graça.


“Machado, o detetive do inexplicado” é outra parceria minha com o Antonio. Dessa vez homenageamos um amigo, o agitador cultural, cineasta, quadrinista e mais uma centena de coisas, Carlos Alberto Machado. A história mistura metalinguagem, lógica, OVNIS, neonazistas e zumbis e tem uma estrutura em loop. Destaque para a página inicial em que um rapaz entra em um sebo e encontra algumas obras “pouco interessantes”: Coronel Ordem, dos desconhecidos Gian Danton e Bené Nascimento, Batman de Orson Welles etc. 

Francisco Iwerten: biografia de uma lenda


Informamos ao nosso distinto público que se encontra à venda o livro Francisco Iwerten - A Biografia de uma Lenda ao preço promocional de 15 reais apenas até o início do ano. Aproveite o clima natalino para presentear seus amigos com essa maravilhosa biografia. Interessados, favor contatar o senhor Gian Danton através do e-mail profivancarlo@gmail.com e mencionar este anúncio. 

Marketing: o cliente regular

O próximo passo na escala de fidelidade é o cliente regular. Este compra sempre o produto ou serviço, mas não é fiel a ponto de recomendá-lo aos amigos.
Antes de passar para outros elementos, é importante destacar um aspecto. Hoje sabe-se que as duas categorias – o cliente aliado e o cliente regular – são difíceis de se conseguir e deve-se fazer de tudo para não perdê-lo. Um cliente perdido representa mais do que a perda da próxima venda, representa a perda de todas as vendas futuras. Além disso, o custo para conseguir um novo cliente é cinco vezes maior do que o custo para manter o cliente atual satisfeito.  É por essa razão que a Stew chegou ao ponto de dar um peru para a cliente que trouxera apenas os ossos do peru anterior, reclamando que o gosto não estava bom: o custo de perder aquela cliente é maior do que o do peru.
O próximo nível da escala é o cliente eventual. Esse compra de vez em quando um determinado o produto ou usa determinado serviço, mas sem compromisso ou fidelidade.
O cliente potencial é aquele que está pensando em comprar determinado produto. Pode ser de qualquer loja.
O cliente-alvo é aquele que já recebeu uma visita de um vendedor da empresa e, portanto, está inclinado a comprar com ela.
Finalmente, o cliente desconhecido é aquele que nem sabe da empresa ou de seus produtos. O custo para conquistá-lo é altíssimo.


A equipe do Rádio Pop

Na foto, a equipe responsável pelo Rádio Pop: Jamille Rosa, Núbia Paes, Anita Flexa e eu. O rádio Pop vai ao ar toda quinta-feira, às 17 horas, na rádio universitária, 96,9 FM.

quinta-feira, outubro 19, 2017

Livro sobre quadrinhos curitibanos cita Gian Danton 16 vezes

Acontece amanhã, dia 20 de outubro, àss 19h na Gibiteca de Curitiba o lançamento do livro A história dos quadrinhos e da gibiteca de Curitiba, de autoria de Fúlvio Pacheco. O livro traz um panorama geral dos quadrinhos curitibanos e cita Gian Danton em 16 páginas. É um dos autores mais comentados na publicação. O livro poe ser adquirido no site da Editora Estronho

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Fronteira Livre


Fronteira Livre foi uma coletânea de quadrinhos organizada por Milena Azevedo e financiada via Catarse. Eu colaborei com uma história de faroeste ao estilo do seriado Além da imaginação, ilustrada por Alexandre Falcão. Na trama, um garimpeiro chega em uma cidade em que todos parecem ter sido dominados pela loucura dos duelos: a professorinha duelou com a dançarina do cabaré, o prefeito com o xerife, o pastro com o barman. Uma curiosidade é o nome do loca: Dalton City, uma referência às histórias de Lucky Luke.

Marketing: agentes do processo de compra


Para cativar o comprador e vender mais, é necessário conhecer como funciona o processo de compra.
A verdade é que, em muitos casos, há vários elementos envolvidos. O primeiro deles é o iniciador. Este é o que primeiro pensa na compra, a pessoa que identifica uma necessidade, dele ou de outra pessoa. É o caso, por exemplo, de uma jovem que vê o tempo gasto pela mãe lavando roupas e pensa como seria bom se ela tivesse uma máquina de lavar.
Outra figura importante é o influenciador. Nesse caso, por exemplo, podem ser os filhos, que influenciam o pai a dar uma máquina de lavar de presente para a mãe. O influenciador é um dos elementos mais importantes do processo de compra, embora nem sempre ele seja o consumidor. O médico, por exemplo, que receita o remédio para o paciente, é um influenciador tão poderoso que a indústria farmacêutica foca seus esforços apenas a convencê-lo a indicar seus produtos. Dentistas costumam ser grandes influenciadores, indicando determinadas marcas de escovas e cremes dentais. Professores costumam ser grandes influenciadores, razão pela qual as editoras costumam lhes dar vários livros na esperança de que eles gostem e indiquem para seus alunos.
O influenciador pode ser também alguém que experimentou um produto, gostou e o indica para os amigos. É o famoso boca a boca. Há restaurantes que ganham sua freguesia apenas assim, por meio do boca a boca. Um caso interessante de ação de influenciadores foi o filme Ghost – Do Outro Lado da Vida, de grande sucesso, especialmente no Brasil. Pesquisas demonstravam que havia ali a ação de um influenciador: os espíritas, que assistiam à película e a indicavam a seus amigos.
O grande alvo dos influenciadores é o decisor, a pessoa que tem o dinheiro e, portanto, decide como gastá-lo. No nosso exemplo hipotético é o pai, que acaba se convencendo de que é realmente necessário comprar uma máquina de lavar.
As escolas costumam focar suas estratégias de marketing nos decisores. Assim, os pais recebem ligações e até visitas de representantes da empresa, que tentam convencê-los de que aquela é a melhor escola para seus filhos.
Nem sempre o decisor compra o produto. Em muitos casos, ele dá o dinheiro para que outra pessoa compre para ele. É o comprador. A Cica focou sua estratégia no comprador ao trabalhar o extrato de tomate elefante. Os anúncios, protagonizados pelo Jotalhão e pela Mônica, tentavam convencer a criança a pedir não um extrato de tomate, mas um elefante. A ideia deu certo, já que, muitas vezes, são as crianças que vão à mercearia comprar esse tipo de produto para suas mães.
No exemplo da máquina de lavar, o comprador poderia ser um filho que recebe do pai a incumbência de comprar o eletrodoméstico. Ele sabe que precisa comprar uma máquina, mas não sabe de qual marca. Assim, as estratégias de ponto de venda podem ser determinantes para que ele leve uma e não outra. Localização do produto na loja (a máquina que estiver mais visível tem mais chance de sair do que a que estiver escondida), o conhecimento do vendedor sobre esta ou aquela marca (muitas empresas fornecem treinamentos para vendedores, nos quais exibem as qualidades de seus produtos), além de cartazes e banners, ajudam a conquistar o comprador. 
Finalmente, nessa linha de compra temos o consumidor, a pessoa que de fato vai utilizar o produto. No exemplo, seria a mãe, que vai usar a máquina de lavar. 
Escala de fidelidade
Existem os mais variados tipos de clientes: desde aquele que só compra uma vez em uma loja até aquele que não só compra fielmente como chama os amigos para comprarem. Conhecer e entender a escala de fidelidade ajuda a entender a cabeça do cliente e a conquistá-la, tornando-o cada vez mais fiel à empresa.
O ponto mais interessante da escala de fidelidade é o cliente aliado. Ele compra da empresa e ainda a divulga para amigos e conhecidos. É o buzz marketing, o marketing boca a boca. Esse estágio é alcançado quando a satisfação é tão grande que se cria uma relação sentimental, como se ele, o cliente, fosse amigo do produto, loja ou serviço. Os clientes da Stew, que levam sacolas da loja para tirar fotos em locais turísticos, são exemplos dessa categoria. Essa fidelidade poder ser conseguida por meio de atitudes simples, como receber o cliente sempre com um sorriso e um bom-dia, a estratégias mais complexas.
Exemplo disso foi a estratégia da cooperativa de pequenos supermercados Obrera, que conseguiu resistir à concorrência do Wall-Mart apostando na fidelidade do consumidor. 

The Spirit


Dos heróis surgidos nos anos da Segunda  Guerra Mundial, um  deles se destacou não pelos po­deres extraordinários ou por uniformes espalhafatosos.  Spirit, criado por Will Eisner, era um herói, acima de tudo, humano. Policial dado como morto, Colt se aproveita do anonima­to para resolver casos além do alcan­ce da polícia, apenas com uma capa e um chapéu “noir”. A minúscula máscara, sugestão do editor, procurou torná-lo mais comercial, mas não lhe diminuiu o prestígio.
O Spirit era uma espécie de mes­tre de cerimônias de um show  pelo qual desfilavam menores abandonados, ladrões, suicidas... Gente que tem uma bela ou triste história para con­tar.
Uma das histórias mais tocantes era sobre um garoto que sabia voar. Proibido de sair do chão pela mãe, ele sobe, já adulto, num edifício onde o Spirit troca tiros com bandidos e começa a fazer evoluções no ar, até que uma bala o acer­ta. Eisner aconselha os leitores não chorarem por ele, mas pelas pessoas que não perceberam seu vôo.
Apesar dos textos impressionis­tas, o Spirit entrou para a  história dos quadrinhos por um motivo estético: foi o primeiro a tentar uma linguagem realmente quadrinística.
O texto nun­ca dizia o que a imagem podia passar  e havia uma exploração muito grande das possibilidades narrativas do desenho. Eisner foi o primeiro a usar a sequên­cia com maestria nos quadrinhos e é considerado o pai da nova geração de quadrinistas, como Alan Moore, Da­ve McKean, Dave Gibbons e Neil Gai­man, entre outros.
O Spirit durou de 1940 a 1952, quando a opinião pública voltou-se contra os quadrinhos, depois que o livro ‘Sedução de inocentes”, do psicólogo Frederích Werthan, os acusou de serem responsáveis pela delinqüência juvenil que florescia nos EUA. Vendo a decadência do mercado de quadrinhos, Eisner foi fazer desenhos para o exército.
Na década de 1970, Eisner voltaria aos quadrinhos, criando as graphic novels com a obra Um contrato com Deus.

Programa Rádio Pop

Gosta de cinema, quadrinhos, seriados? Ouça Rádio Pop, na rádio Universitária, 96,9 FM (é possível ouvir pela internet neste link)

quarta-feira, outubro 18, 2017

A Morte Te Dá Parabéns - Trailer Oficial 1 (Universal Pictures) HD

Tese sobre o Capitão Gralha


Já está disponível para leitura, no site da FAV-UFG, a minha tese A fantástica história de Francisco Iwerten: hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha. O PDF pode ser baixado aqui.

Pequeno assassinato, de Alan Moore, é lançado no Brasil

O homem-anfíbio


 Desmond Morris, autor do livro O Macaco nu, tem uma teoria curiosa: a de que o homem já viveu na água. Ou seja, de que somos anfíbios.
Essa teoria foi expressa pela primeira vez em 1930, pelo biólogo marinho Sir Alister Hardy. Comparando o ser humano com os macacos, ele percebeu várias diferenças, entre elas uma camada de gordura que temos sob a pele, que mantém a temperatura dos órgãos durante o mergulho. Só baleias e golfinhos têm tal característica.
Além disso, Hardy descobriu que nossos pêlos têm uma organização hidrodinâmica, ao contrário dos macacos, que têm pelos retos. Além disso, choramos lágrimas salgadas em abundância, como os leões marinhos, ao contrário dos macacos e outros animais das savanas. Nosso labirinto auricular nos dá mais equilíbrio que os primatas quando estamos imersos na água. Entre os dedos das mãos e dos pés temos uma membrana palmar que não pode ser observada nos primatas. Nosso nariz é hidrodinâmico, parece ter sido feito para mergulhar, ao contrário dos macacos.
Todas essas características somam-se a uma que parece ser reflexo subconsciente de nosso passado na água: os bebês humanos nadam sem medo e sem aprender.
Não há quem negue o fascínio que a água exerce sobre o ser humano. Sempre que quer se divertir, o homem se aproxima da água, seja em praias, piscinas ou rios. Nós, que moramos na região amazônica, tão abundante em rios e riachos, percebemos claramente o quanto as pessoas associam diversão com água. Parece que o ser humano se sente relaxado e feliz quando está nadando ou simplesmente próximo à água.
Todas essas características parecem colocar em xeque a idéia de que a origem do homem está nas savanas africanas. Talvez a origem da nossa espécie esteja no mar ou nos rios.
Talvez o nosso parente mais próximo não sejam os macacos, mas os golfinhos, que, como nós, saíram da terra e passaram a viver na água. Mas, ao contrário de nós, os golfinhos decidiram continuar por lá. Sorte deles.

X-men: first class

Não há dúvidas: X-men first class é um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Está na mesma categoria do Superman do Richard Donner e do Homem-aranha 2.
O curioso de tudo é que, antes de estrear, todos apostavam que seria mais uma bomba. Os primeiros cartazes eram estranhos, o orçamento parecia baixo demais para um filme de super-heróis (80 milhões - uma ninharia comparado com Thor, por exemplo). Muita gente dizia que só valeria a pena pela oportunidade de ver a Rainha Branca de lingiere... 
Mas a falta de dinheiro parece ter trabalhado a favor do filme: a pirotecnia de efeitos especiais e ação contínua foram substituídos por uma ótima história, um grande roteiro e um aprofundamento de personagens poucas vezes visto nos outros X-men.
A relação Xavier - Magneto, por exemplo, só é de fato compreendida nesse filme. Nos outros ela fica implícita, mas jamais é explorada de fato. A relação de amizade e inimizade cria alguns dos melhores momentos do filme.
A falta de dinheiro também contribuiu em outro ponto: sem dinheiro para usar e abusar de efeitos, o diretor deixou-os para o final. Quando finalmente vemos Magneto levantando um submarino, ficamos espantados com isso. O  impacto desse tipo de efeito se perde nos filmes de grande orçamento justamente pelo excesso.
O filme também acerta em situar a história nos anos 1960, dando um tom histórico de realismo (especialmente pelo contexto da crise dos mísseis em Cuba). Até mesmo do ponto de vista comportamental: quando os mutantes jovens se divertem dançando rock  é inevitável se lembrar da juventude dos anos 1960.
O diretor Matthew Vaughn , o mesmo de Kick Ass, lembrou de algo essencial no gênero super-heróis: todo gibi é uma diversão juvenil e isso se reflete no filme. A sequência em que os mutantes aprendem a lidar com seus poderes é memorável e divertida e prende os telespectadores na cadeira mesmo sem gastar muito com efeitos especiais.
Outro aspecto importante é a forma como o filme consegue costurar vários elementos que depois apareceriam na trilogia X-men, inclusive a forma como Xavier ficou paralítico, o capacete de Magneto, a aparência do Fera, etc.
Pessoalmente, gostei de ver a personagem Moira com um pouco mais de destaque (minha filha adorou).

Finalmente, é possível fazer uma relação interessante do antagonismo entre Xavier e Magneto e os teóricos da comunicação que Umberto Eco chamou de apocalípticos e integrados. Criado numa família rica, nos prósperos EUA, Xavier é um otimista e acredita que a relação entre humanos e mutantes é possível. Vítima de nazistas, Magneto resume sua filosofia na frase: "A paz nunca foi uma opção". Lembra a frase de Adorno: "Não é possível fazer poesia depois de Auschwitz".
A amargura de Magneto reflete a angústia da escola de Frankfurt, enquanto que a visão até certo ponto ingênua, mas bem intencionada do professor X lembra os funcionalistas norte-americanos. Não é uma relação descabida (embora Adorno não fosse gostar de se ver retratado em um filme hollywoodiano): para além da diversão, humor, drama e ação, X-men first class realmente deixa aberto um rico caminho para reflexões dos mais variados tipos. 
Um filme para assistir e assistir de novo.

Patrulha do tempo – Imaginários em quadrinhos



Imaginários em quadrinhos é uma antologia de fantasia e ficção científica organizada por Raphael Fernandes e publicada pela editora Draco. Eu participei do volume dois, que também trouxe grandes nomes dos quadrinhos, como Laudo e João Azeitona. A minha história, Patrulha do tempo, com desenhos de Diego de Sousa, brincava com paradoxos temporais. O roteiro de Patrulha do tempo ficou parado por mais de dez anos. Eu havia começado a escrever, mas não sabia como continuar e muito menos como terminar. O traço do Diego foi fundamental para que eu desse continuidade à história. Ação, ficção científica e principalmente dinossauros são coisas que o rapaz sabe fazer muito bem. Como várias de outras histórias minhas, essa é cheia de referências: começa falando de teoria do caos e do efeito borboleta e segue com citações a Ray Bradbury e a Isaac Asimov. Eu gosto particularmente da virada no final. Para uma história que ficou na gaveta por dez anos e que achei que nunca ia dar em nada, foi um ótimo resultado, 

Como cancelar serviços da NET


A NET é uma empresa que oferece serviços de TV a cabo, internet e telefone. A coisa mais fácil do mundo é conseguir contratar um serviço deles: você liga e às vezes no mesmo dia aparece um técnico para instalar o equipamento. Cancelar os serviços, no entanto, é um verdadeiro calvário.
Quando morava em Curitiba eu assinava um pacote de internet mais telefone passei por todas as dificuldades que todos enfrentam na hora de cancelar o serviço.
Assim, preparei um passo-a-passo para evitar que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades na hora de cancelar pacotes da NET:

1) Não ligue para o 0800. Eu liguei seis vezes. Em todas elas as ligações demoraram quase uma hora, com atendente me passando para atendente. Em todas eu, teoricamente, conseguia o cancelamento do serviço. Pedia inclusive que me enviassem por e-mail o número de protocolo. Quando ligava de novo, descobria que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento.

2) Não se preocupe com número de protocolo. Mesmo quando mandam por e-mail, são apenas números, não dizem nada - até porque o e-mail não traz o assunto ao qual aquele protocolo se refere. Em um processo pode-se descobrir, por exemplo, que aquele número de protocolo se refere a uma gravação vazia. Número de protocolo de ligação não tem nenhum valor legal.

3) Leve o equipamento diretamente na loja. Eles agendaram dia para pegar equipamento e simplesmente não apareceram. Quando meu filho foi levar o equipamento na loja, descobriu que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento (apesar das minhas seis ligações).

4) Exija na loja comprovante de entrega do equipamento e de cancelamento do serviço.

5) Se a conta estiver no débito automático, procure o banco para cancelar o débito automático. Mesmo depois de entregue o equipamento e cancelado o serviço, eles provavelmente ainda vão cobrar uma ou duas mensalidades. Eles fazem isso por uma razão muito simples: se o consumidor entrar na justiça, o máximo que irá conseguir será seu dinheiro de volta em dobro. O máximo. E quem vai contratar um advogado e ter todo stress de um processo judicial para receber 300 reais de uma cobrança indevida? Se o débito automático for cancelado e a NET colocar o nome do consumidor no SPC- Serasa, fica caracterizado o dano moral. Aí sim vale a pena um processo, pois os valores altos de indenização por inclusão indevida no SPC-Serasa compensam o processo.

Direto da estante - colecionáveis



Catálogo do exposição Tesouros da Grafipar

A Grafipar foi uma das maiores editoras do Brasil entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Sua produção de quadrinhos eróticos desafiavam a censura da época sem cair na pornografia, misturando o erotismo a outros gêneros, como terror, aventura e ficção científica. A exposição Tesouros da Grafipar teve curadoria de José Aguiar e foi apresentada na Gibicon, em 2012. O cartaz da exposição foi realizado por Gustavo Machado, um veterano da Grafipar e tem a genialidade das melhores pin-ups: é sensual, sem mostrar muita coisa. A loira é Maria Erótica, criação de Cláudio Seto, coordenador editorial de quadrinhos da Grafipar, que aparece ao fundo, ao lado de uma barraca da feirinha de Curitiba. A exposição contou com um catálogo e colaborei com um texto contando a história da editora. Além dos quadrinhos selecionados, a publicação também trazia textos de Gonçalo Júnior, José Aguiar, Franco de Rosa e Faruk El-Khatib, dono da Grafipar.

Marketing: comportamento do consumidor

O comportamento do consumidor é influenciado por vários fatores. Alguns deles são controlados pela empresa e podem ser resumidos nos 4 Ps: produto, preço, ponto de venda e promoção. Uma loja pode fazer o consumidor comprar mais baixando seus preços. Um produto pode aumentar suas vendas aumentando a distribuição. Mas existem outros fatores, que não são controlados pela empresa, mas podem fazer grande diferença. São as chamadas variáveis incontroláveis.
Uma dessas variáveis são as condições ambientais. Chuva, seca, frio, calor fazem o consumidor mudar de comportamento. Se chove demais, ele tende a comprar guarda-chuvas, capas. Se faz sol, compra protetor solar e óculos escuros. Os vendedores ambulantes já perceberam essa verdade: quando o tempo muda, eles mudam seus produtos. A mesma pessoa que ontem estava vendendo óculos escuros, hoje está anunciando sombrinhas. Acompanhar as tendências ambientais é importante até mesmo para uma loja de roupas. Num ano em que o inverno vai ser menos frio, é bom comprar pouca roupa de frio para não ficar com produto encalhado no estoque.
As variáveis tecnológicas também são essenciais. Afinal, inovações tecnológicas podem acabar com mercados. A invenção do mp3, por exemplo, está matando o mercado de CDs. Em alguns países, as empresas já estão ganhando mais com a venda de música por celular do que a venda de CDs. Da mesma forma, o surgimento dos computadores pessoais matou o mercado para máquinas de escrever. Em 2009, a Kodak cancelou a venda de filmes fotográficos Kodachrome por causa da concorrência das câmeras digitais.
A importância da variável tecnológica é facilmente percebida pelos gerentes das concessionárias de automóveis. No final do ano a maioria dos clientes simplesmente para de comprar para esperar o modelo do ano seguinte, com mais tecnologia. Por isso são tão comuns as promoções de final de ano.
Entre as variáveis econômicas, as que mais influenciam no comportamento do consumidor são a inflação, a facilidade de créditos e os juros. Na época em que o Brasil tinha inflação de três dígitos ao ano, os consumidores faziam compras enormes, para o mês todo, no mesmo dia em que recebia o pagamento. Hoje, com a inflação controlada, os consumidores fazem compras semanais. Isso aliou-se a um outro fator: a facilidade de crédito. Hoje é muito fácil conseguir um cartão de crédito ou conseguir crédito em uma loja, o que tem estimulado o consumo. Outro fator que estimula o consumo são os juros baixos, pois mais pessoas se sentem estimuladas a pegar dinheiro emprestado e gastar.
Da mesma forma que a economia, as questões políticas também influenciam. Um governo ecológico, por exemplo, irá estimular a compra de produtos orgânicos e naturais.
A importância da variável política foi sentida em 2003, quando os EUA invadiram o Iraque. O forte sentimento antiamericano fez com que o McDonald’s tivesse prejuízo pela primeira vez em sua história. Outro produto tipicamente norte-americano, a Coca-Cola, também sofreu com boicotes em vários países. Na França e na Alemanha, muitos restaurantes se recusavam a vender esse famoso refrigerante. Mesmo no Brasil esse fato político teve consequências. Estudantes invadiram lojas do McDonald’s com cachos de bananas tentando convencer as pessoas a pararem de consumir sanduíches e comerem algo mais saudável.
Os fatores legais também influenciam no comportamento do consumidor, embora nem sempre como os legisladores esperam. A lei seca nos EUA fez aumentar o consumo de bebidas alcoólicas e turbinou as atividades da máfia. O livro Versos Satânicos, proibido no mundo muçulmano, tornou-se um best seller mundial.
Em 2008, as autoridades iranianas proibiram a venda da boneca Barbie, vista como símbolo de valores ocidentais, naquele país. Embora a medida tenha de fato impedido a venda da boneca em lojas, ela também fez aumentar em muito o contrabando.
Outro fator relevante, de grande influência no comportamento do consumidor, são os meios de comunicação de massa. Novelas, filmes e histórias em quadrinhos ditam o consumo. Basta uma atriz global aparecer usando um brinco na novela que no dia seguinte o acessório vira o mais procurado nas lojas. As cabeleireiras sabem muito bem disso, pois costumam ter em seus salões revistas com fotos de famosas para que suas clientes escolham os cortes de acordo com a nova moda da TV.
Muitas empresas aproveitam essa força dos meios de comunicação de massa e dão um jeito de colocar seus produtos em novelas e filmes. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Azaléia, que firmou um contrato com a Globo para que as atrizes usassem suas sandálias nas novelas.

 Um exemplo clássico foi o personagem Popeye, que fez aumentar em muito o consumo de espinafre nos EUA. A importância do personagem para as vendas desse vegetal foi tão grande que os produtores ergueram duas estátuas para o Popeye: uma em Crystal City, no Texas, e outra em Alma, no Arkansas.

Outro fator importante, que deve ser levado em consideração, é a religião. Sabe-se que líderes religiosos costumam direcionar o comportamento de seus fiéis, inclusive em termos de consumo, e as empresas precisam se adaptar a isso. É famoso o caso do McDonald’s que, na Índia, teve de criar um sanduíche sem carne para se adaptar aos hábitos vegetarianos pregados pela maioria das religiões indianas. No Brasil, um caso emblemático foi a campanha da Antarctica “Do jeito que o diabo gosta”, que precisou ser mudada para “Do jeito que a gente gosta” por causa do aspecto religioso. 

terça-feira, outubro 17, 2017

A arte belíssima de Daniel Brandão



O desenhista cearense Daniel Brandão já trabalhou para diversas revistas e editoras nacionais e internacionais, como DC Comics, Marvel, Dark Horse, Abril e Maurício de Sousa Produções.
Em 2016 ganhei o prêmio Al Rio como destaque local. Fui coordenador de conteúdo do curso de quadrinhos do projeto HQ Ceará (também ganhador do HQ Mix) e organizador da Antologia HQ pela Fundação Demócrito Rocha. É criador dos personagens Liz, Sebastião e Cariawara. Atualmente possui um estúdio próprio em Fortaleza, Ceará (Estúdio Daniel Brandão) onde ofereço cursos de desenho, quadrinhos e mangá. Confira a arte desse grande talento nacional. 










As redes sociais e os regimes autoritários

Durante muito tempo se acreditou que as redes sociais seriam grandes instrumentos de democracia. Eles permitiriam o diálogo e o debate sobre assuntos importantes, assim como a pressão sobre governantes, evitando desvios.
Mas, cada vez mais, parece claro que as redes sociais são facilmente aproveitadas pelos regimes autoritários - e não só para disseminar suas ideias. As redes sociais são uma forma fácil de identificar opositores. Nos protestos na China em 1989 o governo teve grande dificuldade para identificar os que protestavam. Agora bastaria rastrear suas redes sociais, identificando quem critica o regime. E uma forma ainda mais fácil e simples de fazer isso é simplesmente estimulando as pessoas a fazerem denúncias. Um simples print e pronto: o regime tem mais um preso político. E na maioria das vezes, quem fez o print e denunciou foi um "amigo".

Como escrever quadrinhos


O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.