terça-feira, novembro 21, 2017

Ponto de venda: layout


Layout é a organização da loja, visando a facilitar a vida do cliente (ajudando a achar os produtos que procura), a facilitar a atividade do vendedor, além de induzir as pessoas a comprarem mais. O layout também tem a importante função de fazer o consumidor andar por todo o ponto de venda, evitando que existam áreas mortas.
Já reparou que os itens mais importantes da lista de compras (como arroz, feijão, frutas e verduras) ficam na parte oposta à entrada do supermercado? É para fazer o consumidor percorrer a loja até chegar a eles. Mas existe a chance de o cliente ir direto ao ponto. Assim, outros itens importantes, como leite, café e produtos de limpeza, são espalhados por outros locais. Num bom supermercado, a pessoa precisa percorrer todo o espaço, passando por muitos produtos supérfluos, antes de encontrar o que precisa. 
Num shopping center, o layout é pensado para obrigar a pessoa percorrer todo o espaço se quiser chegar à área de diversão e lanches, que normalmente fica no último andar. Por isso as escadas rolantes ficam tão afastadas. A pessoa sobe para o segundo andar e tem que percorrer quase todo o piso antes de encontrar a escada que o levará ao terceiro, e assim por diante.
Em uma loja, o layout pode ser retangular, fluxo livre ou boutique.
O layout retangular é aquele típico de supermercados e mercadinhos. As prateleiras são colocadas uma ao lado da outra, em linha reta. Nesse caso, os produtos mais supérfluos, que geralmente não constam nas listas de compras (chocolates, salgadinhos etc.) devem ficar nas vias principais e os produtos mais básicos longe dessas vias, forçando o consumidor a percorrer a loja, expondo-o à tentação da compra por impulso.
A vantagem desse tipo de organização do ponto de venda é que ele é barato, fácil de fazer e favorece a segurança (é fácil perceber quando alguém está roubando um produto, pois há poucas áreas para se esconder). O lado negativo é que ele não é nada bonito, nem criativo. Por essa razão, ele não estimula o consumidor a ficar muito tempo no ponto de venda.
Já o fluxo-livre tem exatamente as características opostas. Criativo e diferente, ele estimula os sentidos do consumidor, fazendo-o percorrer de livre e espontânea vontade o ponto de venda, o que estimula a compra por impulso. As gôndolas são dispostas de maneira livre, preferencialmente criando ambientes. Por exemplo, numa loja de móveis, pode ser criada uma sugestão de sala de estar, de modo que o consumidor visualize como o sofá, o rack e a televisão vão ficar em sua casa.
O aspecto negativo é a falta de segurança. No fluxo livre surgem muitos espaços que podem ser usados para esconder um produto na roupa ou na sacola. Além disso, se for malfeito, esse tipo de layout pode causar confusão visual e até comprometer a compra, pois o ambiente está abarrotado de produtos, dificultando o fluxo.
Finalmente, o formato boutique é usado por aquelas lojas que dividem os produtos em setores, como feminino, masculino, infantil etc. Em alguns casos, como nas lojas Marisa e Renner, os produtos são divididos até por cores, como na seção de lingerie.

A vantagem desse modelo é a flexibilidade e a segmentação. Afinal, cada setor da loja fala diretamente para um tipo de cliente. Também é interessante por ajudar o cliente a encontrar o que precisa, desde que o ambiente seja bem sinalizado. 

Batman, a série da década de 1960

Um dos maiores fenômenos da década de foi o seriado do Batman protagonizado por Adam West no papel de herói e Burt Ward como Robin.
O responsável por esse sucesso foi o produtor William Dolzier. Ele nunca havia lido um gibi e, quando os direitos do personagem cairam no seu colo, ele decidiu que transformaria o seriado em uma comédia. O produtor colocou no papel principal o desconhecido ator Adam West, que nitidamente estava fora de forma, com uma barriguinha proeminente. Além disso, introduziu clichês dos seriados de matinês, como o gancho no final do episódio com os heróis prestes a morrer em alguma arapuca, com a linguagem de quadrinhos e a estética da pop art. Essa mistura foi bem aceita pela público da época. Na estreia o programa teve quase 50% da audiência. Depois o seriado seria badalado até pelo famoso artista Andy Warrol. 
O sucesso foi tanto que os astros da época disputavam a tapa uma oportunidade de aparecer na série; senão como vilão especialmente convidado ou na janela de um prédio que a dupla estivesse a escalar. Deram as caras, nesse quadro, grandes nomes da época como Sammy Davis Jr, Jerry Lewis e até o Papai Noel.
Esses convidados ganhavam mais do que os protagonistas. Aliás, todo mundo ganhava mais que o Robin. Ward, que fazia o garoto prodígio, ganhava menos do que o mínimo para um ator. Até o dublê que o substituía nas poucas cenas de perigo recebia mais do que ele. 
Os problemas do pobre Robin não acabavam aí: o estrelismo de West fazia com que ele improvisasse várias falas, tentando chamar a atenção para si, o que atrapalhava Ward. Além dia a Liga Católíca pela decência reclamou que o calção deixava proeminente demais o órgão sexual do parceiro mirim. Não é à toa que a frase predileta do garoto prodígio fosse “Santa qualquer coisa Batman!”, como: Santo problema, Batman ou Santa confusão, Batman.
O tom era mesmo de comédia. Em um dos episódios, Batman tenta se livrar de uma bomba preste a explodir, mas sempre há algo na frente, seja um casal de namorados, um grupo de freiras, ou uma família de patos. No final, ele solta a pérola: em certos dias é difícil se livrar de uma bomba.
Apesar do grande sucesso, o seriado foi perdendo audiência  e chegou a ser odiado pelos fãs. Os quadrinhos do homem-morcego chegaram até mesmo a ficar mais sombrios na década de 1970, exatamente para distanciar os gibis dessa série cômica.
Odiada por muito, adorada por outros, essa série marcou a infância de muita gente.

Promoção de vendas: Concursos e sorteios


            Os concursos e sorteios se diferenciam pelo fato de que, no concurso, o consumidor precisa realizar uma atividade para ganhar. No sorteio, ele conta apenas com a sorte.
            Os concursos são muito mais difíceis de operacionalizar do que os sorteios, mas, se bem feitos, costumam virar uma febre. Todo mundo se lembra, por exemplo, do Show do Milhão, em que consumidores de produtos (Nestlé, cartões Bradesco) tinham que responder perguntas para poder concorrer a até um milhão de reais.
            Há algum tempo a rádio Joven Pan promoveu o concurso “Faça uma loucura pela Joven Pan”, o que levou a diversas ações de divulgação de sua marca, gerando uma bela mídia espontânea.
            Atualmente, em tempos de internet e de marketing viral, muitas empresas estão fazendo concursos em que os consumidores são estimulados a fazer vídeos sobre o produto. Os vídeos mais criativos ganham os prêmios e tornam-se virais.
            Um aspecto importante tanto nos concursos quanto nos sorteios é que o consumidor deve visualizar o prêmio. Colocar o prêmio na frente do ponto de venda já virou praticamente padrão nesse tipo de promoção, mas uma empresa de Belém (PA) inovou, colocando os vários carros que seriam prêmios para seus clientes pendurados por um guindaste na área. Isso gerou grande interesse por parte da clientela e até mesmo um buzz marketing. Afinal, todo mundo queria ir lá ver os tais carros pendurados por um guindaste.

            Um detalhe importante tanto sobre concurso como sobre sorteios: eles devem ser registrados na Receita Federal, até para que seja providenciado o pagamento de impostos dos prêmios. 

segunda-feira, novembro 20, 2017

A arte fantástica de John Buscema

John Buscema foi um dos principais desenhistas da Marvel de todos os tempos. Os editores dos títulos brigavam por ele. Seu traço elegante, anatômico e, ao mesmo tempo, com forte influência da arte expressiva de Jack Kirby, garantia as vendas de qualquer título. Assim, ele passou por várias revistas, do Quarteto aos Vingadores, passando por uma fase inesquecível no Surfista Prateado, até descobrir seu título definitivo: Conan. Seu traço deu ao personagem o ar feroz e selvagem pelo qual o personagem ficaria conhecido. Confira abaixo alguns de seus trabalhos fantásticos.














domingo, novembro 19, 2017

Promoção de vendas: Bônus na embalagem


O bônus na embalagem é a estratégia promocional preferida dos produtos alimentícios. É muito comum dar uma quantidade a mais de produto para o cliente como forma de incentivá-lo a experimentar a novidade. Foi o que fez o Nescau Cereal no lançamento. Foi também a estratégia usada pela Nestlé ao lançar o biscoito maçã com canela.

Esse bônus tem que estar visível para o consumidor, que precisa visualizar o quanto está ganhando. É comum colocar uma tarja amarela com dizeres como: “Isto é grátis”.

Os estóicos



Um dos principais representantes da corrente filosófica estoicismo, na Grécia antiga, foi o escravo Epíteto.
Como escravo, Epíteto deparava-se com um problema que dizia respeito diretamente à sua felicidade. Ao pensarmos na relação senhor-escravo, todos imaginam imediatamente que o senhor será feliz e o escravo infeliz. Afinal, o senhor tem tudo o necessário à felicidade: as melhores comidas, as melhores roupas, os mais variados divertimentos... e não precisa trabalhar. Já o escravo não tem nada, nem mesmo o seu próprio corpo, que pertence ao senhor.
Como o escravo poderia ser mais feliz que o seu dono? Isso seria possível?
O filósofo resolveu a questão através de uma inversão de valores. Para ele, o que nos deixa felizes não são as coisas que temos, mas o significado que damos a elas. Por exemplo, se um belíssimo carro nos lembra uma pessoa querida, que morreu, esse carro será fonte não de alegrias, mas de tristezas.
Para Epíteto, o que nos torna felizes é a forma como encaramos aquilo que nos ocorre. Assim, devemos distinguir entre as coisas que podemos mudar e aquelas que não podemos mudar. Entristecer-se ou preocupar-se com algo que não podemos mudar, é tolice.
Esse ponto de vista foi expresso na frase: “Deus me dê paciência para agüentar aquilo que não pode ser mudado, coragem para mudar aquilo que pode ser mudado e principalmente sabedoria para distinguir um do outro”.
Mas os estóicos não só propunham paciência para aquilo que não pode ser mudado. Na verdade, os infortúnios podem ser fonte de felicidade, dependendo do sentido que se dá a isso. Se tudo que tenho é minha roupa do corpo, mas amo essa roupa, ela é fonte de felicidade. Essencialmente, o que importa é a atitude mental. “Se sou forçado a morrer, porém não entre gemidos, a ir para a prisão, mas não em meio a lamentações, a sofrer o exílio, mas o que impede que seja alegremente e de bom humor?”, dizia Epíteto.
Para ele, o que nós realmente possuímos não são os bens, os amigos, a saúde, nem o nosso próprio corpo, mas apenas o uso de nossas representações, o significado que damos às coisas que nos ocorrem, pois ninguém pode nos forçar a um uso que não desejamos.
Assim, para estóicos, devemos passar pelos momentos tristes da mesma forma que passaríamos pelos alegres.
É tolo aquele que no dia de sol, reclama de calor e num dia de inverno, reclama do frio. Sábio é aquele que sabe usufruir o melhor tanto do inverno quanto da doença.
Curiosamente, o estoicismo, uma filosofia que tinha como um dos principais representantes um escravo, foi adotado por pessoas ricas e poderosas. O imperador Marco Aurélio (que aparece no filme Gladiador) foi um dos mais importantes adeptos do estoicismo.

Gógol: entre risos e lágrimas


Não, você provavelmente nunca leu uma obra de Gogol. Mas certamente conhece alguma de suas histórias. Afinal, são muitas as adaptações para cinema, televisão e quadrinhos. Eu mesmo cheguei fazer duas HQs baseadas em suas histórias: Fobia (baseada em O Nariz) e A Inspeção (baseada na peça O Inspetor Geral), ambas desenhadas por Bené Nascimento (a primeira foi publicada pela Nova Sampa, a segunda pela revista Calafrio). O grande destaque de Gogol se deve ao fato de ter sido o iniciador da moderna literatura russa, que nos legou nomes como Tcheckov, Tolstoi e Gorki.
Nicolai Vassilievitch Gogol nasceu em uma pequena província da Ucrânia, no ano de 1809. Até mesmo a data de seu nascimento é controversa: 19 de março no calendário russo e 31 de março no calendário ocidental. O pai era um fazendeiro que, ao contrário de seus vizinhos, tinha rudimentos de cultura artística. Gostava de ler e usava as horas vagas para escrever peças satíricas. Gogol herdou dele o gosto pela pena. E herdou da mãe a extrema religiosidade que o levaria à morte.
Desde criança, Gogol sempre foi estranho. Na escola era chamado de "anão enigmático" porque falava pouco e tinha dificuldade para se relacionar com colegas e professores. Como o apelido sugere, também era pequeno. Seu grande sonho era ir para São Petesburgo. Imaginava-se com um bom emprego, instalado em um quarto com vista para o rio Nieva. Depois da morte do pai, conseguiu finalmente realizar o seu sonho, que acabou parecendo mais com um pesadelo. Tudo o que conseguiu em São Petesburgo foi um emprego burocrático medíocre, um salário insignificante e um quarto a grande distância do rio Rio Nieva. Para sobreviver, era obrigado a pedir dinheiro à mãe.
Por esses tempos, teve sua primeira decepção literária e revelou uma característica que o acompanharia por toda a vida: Gogol dava mais atenção às críticas que aos elogios. Seu poema Hans Kuchelgarten foi tão mal recebido pela crítica que o escritor recolheu todos os exemplares e os queimou. Só voltaria a escrever mais tarde, empolgado com a efervescência literária da época.
Na Rússia de então, os intelectuais se dividiam em dois grupos. Um deles defendia a aproximação com a cultura ocidental e o outro estava preocupado com a preservação da cultura russa. Gogol era um simpatizante do segundo grupo. No interesse de resgatar as tradições de sua terra, ele escreveu alguns contos sobre a Ucrânia para revistas e publicou uma seleção deles. O livro se tornou extremamente popular, especialmente por seu humor, que fazia rir os funcionários da gráfica que o imprimia.
Foi nessa época que Gogol conheceu Punchin, o maior poeta russo do período. Punchin foi uma espécie de guru para o jovem Gogol. Gogol chegou a dizer que tudo que escrevia o fazia pensando no que Punchin pensaria, e duas de suas principais obras, Almas Mortas e O Inspetor Geral, surgiram a partir de idéias do poeta.
A trama da peça O Inspetor Geral era simples: as autoridades de uma pequena aldeia tomam conhecimento de que um inspetor do governo chegará incógnito em breve para investigar certos abusos. Por acaso, um aventureiro passa por ali e os poderosos do local, achando que ele é o inspetor, fazem de tudo para suborná-lo. Essa história já foi adaptada para a TV, para o cinema, para os quadrinhos e até na série alemã de ficção-científica Perry Rhodan.
A obra mais genial de Gogol, no entanto, foi escrita em 1842. Trata-se de uma novela com o singelo título de O Capote. É a história de um pobre funcionário público que, a grandes custos, conseguia comprar um novo capote e é roubado no mesmo dia em que o inaugura. Segue-se, então, uma via-crucis pela burocracia russa. Ao invés do capote, ele consegue apenas uma grande bronca de um alto funcionário, interessado em impressionar um amigo. Isso, unido a uma gripe que o pega por estar sem capote, e portanto, desprotegido do terrível frio de São Petersburgo, leva-o à morte. Seu fantasma então, passa a puxar o capote de todas as pessoas que se aventuram a sair à noite.
Como se vê, suas histórias eram simples, bobas até, como contos infantis. Nada de pretensões filosóficas ou pedantismo. Nosso escritor queria apenas contar histórias de seu país natal, o jeito de ser de sua gente, e talvez nisso resida o seu maior encanto. Suas histórias misturavam humor e tragédia naquilo que os críticos chamaram de risos entre lágrimas. Personagens como o funcionário publico de O Capote são ridicularizados, mas ao mesmo tempo, redimidos por sua humanidade.
Gogol se tornou imortal porque suas obras eram repletas de vida. Era a vida dos grandes heróis nacionais, como Taras Bulba, ou dos insignificantes funcionários públicos. Mas, apesar do sucesso, o escritor vivia entre anjos e demônios. Sempre ouvia mais as críticas do que os elogios. Quando a peça O Inspetor Geral estreou, os conservadores pediram a proibição da mesma, acusando o autor de ter caricaturado tanto o país quanto seus dirigentes. Gogol mergulhou em profunda depressão e viajou para a Europa.
Com o tempo, essas crises de depressão foram se tornando mais e mais freqüentes. No dia 11 de fevereiro de 1852, influenciado por um padre fanático, Gogol queimou todos os manuscritos da segunda parte de Almas Mortas e deitou para morrer. Não se alimentava, nem aceitava remédios. A 21 de fevereiro daquele ano, a Rússia perdeu um dos seus escritores mais queridos, o homem que abriu as portas para torná-la uma das capitais mundiais da literatura.

Livro mostra zumbis diferentes


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Esquadrão classe A


Eu acho que nunca falei aqui sobre o Esquadrão Classe A. Sempre que ia falar, aparecia alguma outra coisa e eu esquecia. Depois de Logan´s run, esse era meu seriado favorito. Era a história de militares que foram acusados por um crime que não cometeram e são perseguidos. Em meio às perseguições, eles encontram tempo para ajudar uma pessoa em necessidade. O padrão dos episódios era até mais ou menos rígido: fugindo dos militares, eles chegam a um local onde pessoas estão sendo exploradas ou ameaçadas e conseguem reverter a situação, terminando com um final feliz. Para vencer eles contavam com a força e a invetividade de BA (que sempre criava um tipo de arma bizarra, como um canhão que lança repolhos), a maluquice do Murdock, a sedução do Cara-de-pau e, principalmente, a estratégia de Aníbal.

Uma variação eram os episódios que começavam com uma cena aparentemente sem sentido, como de um vendedor de cachorro-quente conversando com uma pessoa aturdida por ter marcado com o Esquadrão, mas não encontrá-los. Os fãs logo percebiam que o vendedor de cachorro quente era ninguém mais que Aníbal, que fazia isso para descobrir se a pessoa não era um espião do exército.

Esse seriado fez muito sucesso no SBT no início dos anos 1980. Todo mundo da escola assistia... e cada um se identificava com um personagem. Tinha sempre o palhaço da turma, que se identificava com o Murdock. Tinha o cara que fazia sucesso com as meninas, e que gostava, claro, do Cara-de-Pau. Tinha os fortões, que se espelhavam no B.A. (eu costumava ficar longe desses). Eu sempre me identifiquei com o Aníbal e suas estratégias mirabolantes. Sempre achei que nenhuma das qualidades dos outros personagens valeria alguma coisa sem a estratégia de Aníbal.

sábado, novembro 18, 2017

A arte sensual de Alberto Vargas - o rei das pin-ups

Alberto Vargas é um artista peruano radicado nos EUA que durante vários anos publicou seus trabalhos na revista Esquire. Embora não tenha sido o criador das pin-ups, ele definiu o estilo ao pintar mulheres em situações sensuais, mas nunca explícitas. Suas mulheres eram garotas sapecas que oscilavam entre a malícia e ingenuidade. Sua inspiração era uma garota ruiva, Anna Mae Clift, que ele vira na rua e pedira para pintar. Ela acabou se apaixonando por ele e se casaram. 








Como cancelar serviços da NET


A NET é uma empresa que oferece serviços de TV a cabo, internet e telefone. A coisa mais fácil do mundo é conseguir contratar um serviço deles: você liga e às vezes no mesmo dia aparece um técnico para instalar o equipamento. Cancelar os serviços, no entanto, é um verdadeiro calvário.
Quando morava em Curitiba eu assinava um pacote de internet mais telefone passei por todas as dificuldades que todos enfrentam na hora de cancelar o serviço.
Assim, preparei um passo-a-passo para evitar que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades na hora de cancelar pacotes da NET:

1) Não ligue para o 0800. Eu liguei seis vezes. Em todas elas as ligações demoraram quase uma hora, com atendente me passando para atendente. Em todas eu, teoricamente, conseguia o cancelamento do serviço. Pedia inclusive que me enviassem por e-mail o número de protocolo. Quando ligava de novo, descobria que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento.

2) Não se preocupe com número de protocolo. Mesmo quando mandam por e-mail, são apenas números, não dizem nada - até porque o e-mail não traz o assunto ao qual aquele protocolo se refere. Em um processo pode-se descobrir, por exemplo, que aquele número de protocolo se refere a uma gravação vazia. Número de protocolo de ligação não tem nenhum valor legal.

3) Leve o equipamento diretamente na loja. Eles agendaram dia para pegar equipamento e simplesmente não apareceram. Quando meu filho foi levar o equipamento na loja, descobriu que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento (apesar das minhas seis ligações).

4) Exija na loja comprovante de entrega do equipamento e de cancelamento do serviço.

5) Se a conta estiver no débito automático, procure o banco para cancelar o débito automático. Mesmo depois de entregue o equipamento e cancelado o serviço, eles provavelmente ainda vão cobrar uma ou duas mensalidades. Eles fazem isso por uma razão muito simples: se o consumidor entrar na justiça, o máximo que irá conseguir será seu dinheiro de volta em dobro. O máximo. E quem vai contratar um advogado e ter todo stress de um processo judicial para receber 300 reais de uma cobrança indevida? Se o débito automático for cancelado e a NET colocar o nome do consumidor no SPC- Serasa, fica caracterizado o dano moral. Aí sim vale a pena um processo, pois os valores altos de indenização por inclusão indevida no SPC-Serasa compensam o processo.

MAD 14

A sátira do filme Crepúsculo foi meu terceiro roteiro para a MAD. Foi um sufoco porque o filme ainda não havia estreado e tive que conseguir uma versão pirata. Fora isso, foi uma sátira que meio que se escreveu sozinha. O desenho ficou a cargo do grande Raphael Salimena. Nós enchemos a história de piadas de fundo, em especial na página dupla de apresentação dos personagens. Em um dos cantos aparecemos eu, o desenhista e o editora Raphael Fernandes como turistas. Eu comento: “Nossa, nessa cidade todos são virgens” ao que o editor responde: “Até os DVDs são virgens” enquanto segura o DVD “Fiz pornô e continuei virgem” (sim, existiu um filme com esse título!). Gosto particularmente da sequência do pai da Mella Swando com Fedward Cúllen. E a capa do Elias Silveira também é matadora. 


sexta-feira, novembro 17, 2017

Promoção de vendas: brindes


Os brindes são uma estratégia promocional de grande valor para o público-alvo. Bem escolhido, o brinde encanta e faz o consumidor comprar mais. Afinal, a palavra “grátis” tem um grande apelo. Todo mundo gosta de ganhar coisas, nem que seja uma lembrancinha.
O fascínio dos brindes não é algo racional, afinal eles muitas vezes representam financeiramente uma parcela muito pequena do que está sendo pago pelo produto. Uma concessionária de automóveis, por exemplo, deu carrinhos de seus modelos clássicos para seus clientes e conseguiu aumentar as vendas. Se formos comparar o preço dos carrinhos com o do carro, o valor financeiro do brinde é mínimo, mas ainda assim o impacto sobre as vendas foi grande.
Os brindes apresentam um fascínio emocional, motivando ações que poderiam ser consideradas infantis, como de colecionar coisas (por essa razão é muito comum os brindes serem colecionáveis, com uma variedade grande de modelos).
Além do apelo ao consumidor, o brinde é um tipo de promoção de vendas que agrega valor à marca. Isso porque os melhores brindes são aqueles que exibem a marca da empresa para diversas pessoas. A Coca-Cola foi uma das primeiras empresas a perceber isso. Dessa forma, ela sempre dava como brindes coisas que as pessoas olhavam: calendários, espelhos, bandejas. Não é à toa que a marca Coca-Cola é a mais valiosa do mundo.
Embora os brindes sejam uma ótima forma de agradar o consumidor e, ao mesmo tempo, divulgar a marca da empresa, um brinde mal-escolhido pode provocar estragos irreversíveis, arranhando, inclusive, o posicionamento da empresa.
Ficou famoso um episódio do programa de TV O Aprendiz em que os grupos precisavam fazer uma promoção de vendas para o iogurte Activia. Um dos grupos escolheu dar um chapéu de cowboy e um ingresso para o touro mecânico. Um verdadeiro mico, já que o público-alvo do Activia são mulheres acima de 25 anos, a maioria das quais não se interessa por rodeios. Além disso, e se uma das consumidoras se machucasse no touro mecânico? O dano para a marca seria monstruoso.
Outros exemplos: uma panificadora deu como presente de final de ano um cinzeiro para seus clientes (vamos analisar: cigarro e pão não combinam, certo?); um dentista deu cigarros para seus clientes (incentivando-os a fumarem e, portanto, ficarem com os dentes amarelos).
Já exemplos positivos existem aos montes nas mais variadas áreas de atuação. Uma lavadora de carros pode, por exemplo, dar um cheirinho com a logo da empresa. Toda vez que o cliente sentir o cheiro agradável lembrará da empresa. Um pediatra dava para suas pacientes um livrinho com informações úteis para mães de primeira viagem. Uma faculdade dava agendas para os alunos que pagavam a mensalidade em dia.
A Coca-Cola talvez tenha os melhores exemplos de brindes que viraram febre, como o ioiô ou as garrafinhas. Outro produto que tem se destacado pelos brindes é o Nescau Cereal, que se tornou o mais vendido da atualidade, transformando-se numa verdadeira febre entre jovens e crianças. Na época do lançamento do filme Speed Racer, em 2008, as embalagens traziam miniaturas dos carrinhos dos filmes. Muitos pais tiveram que comprar várias caixas para completar a coleção.



A magia da Pixar

Com a morte de Steve Jobs, tem se falado muito do criador da Aple e idealizador de equipamentos que revolucionaram o dia-a-dia das pessoas, como o I-Phone e o I-pad. Poucos, no entanto, lembram que Jobs teve um papel fundamental na animação: afinal, a Pixar, empresa que revolucionou a área, era de sua propriedade. O livro A magia da Pixar, de David Price (editora Campus) ajuda a superar esse vácuo.


Os que se aventurarem na leitura, deverão ser firmes para superar os capítulos iniciais, técnicos, de maior interesse apenas para quem é da área. O livro se torna interessante exatamente com a entrada de Jobs na história.

Em meados da década de 1980, a Lucasfilm queria a todo custo vender a sua divisão de computação gráfica. O divórcio de George Lucas e sua esposa havia esvaziado os cofres da empresa e Lucas não via muito futuro na geração de imagens por computador. Os executivos acreditavam que o investimento na computação gráfica só poderia ser recuperado graças a um protótipo de um computador para um público restrito. O equipamento ainda não tinha nome. Alguém sugeriu Picture Maker, mas o nome que acabou emplacando era baseado no verbo espanhol pixer (criar imagens). No final, o equipamento se chamou Pixar Image Computer.

Alan Kay, o criador do mouse, lembrou-se de um possível comprador, um multimilionário de 32 anos chamado Steve Jobs. Jobs acabara de ser enxotado da Aple por um executivo que ele mesmo contratara. Ele saíra da empresa levando consigo cinco empregados para criar uma nova empresa, a Next.

Jobs interessou-se pela compra, mas achou o preço alto. Segundo ele, se a Pixar chegasse a 5 milhões, ele compraria. Nesse meio tempo, o setor de computação da Lucasfilm produziu uma cena do filme O enigma da pirâmide, produzido por Steve Spielberg no qual um cavaleiro sai de um vitral para aterrorizar um padre. Mas mesmo assim o setor dava prejuízo e no final a empresa aceitou vendê-la pelos cinco milhões oferecidos por Jobs.

Jobs não percebeu que estava comprando uma empresa de animação. Para ele, tratava-se de uma companhia de hardware: "Jobs desfrutava da reputação de leitor visionário dos mercados do consumidor, reputação conquistada inúmeras vezes. Entretanto, se ele tivesse o mesmo olhar clínico para ler os seres humanos, teria observado alguma coisa inquietante em relação aos homens que acabara de empregar. Ele deveria ter percebido que Catmull e Smith - diretor técnico executivo e vice-presidente, respectivamente, de sua nova empresa de hardware de computadores - não tinham qualquer interesse em hardware", escreve David Price.

Jobs era influenciado pela visão da contracultura de computadores segundo a qual os pequenos computadores poderiam ser instrumentos para a liberdade pessoal. Ele não se cansava de repetir que a Aple era o lugar para as pessoas que queriam mudar o mundo levando o poder para as pessoas através do acesso à informática. Ele estendeu essa visão à Pixar: segundo ele, a computação gráfica começaria na mão dos primeiros usuários, mas logo ganharia impulso em um grande mercado popular.

Quando falava do assunto, ele criava o que muitos chamaram de "campo de distorção da realidade de Jobs": o dom que ele tinha de fazer as pessoas ao seu redor acreditarem em qualquer coisa. Os empregados da Pixar tinham de ser desprogramados após uma visita do dono, pois a capacidade de avaliação delas caia. Eles se sentavam diante dele e o olhavam para com amor nos olhos. Todos na Pixar sabiam que a renderização 3D ainda não estava pronta para os consumidores comuns - era um grande esforço até para os especialistas da Pixar - e nem se tinha certeza de que os consumidores realmente a queriam. Naquelas visitas, no entanto, os técnicos acreditavam no carismático e extremamente entusiasmado Steve Jobs.

Apesar do entusiasmo, Jobs perdia dinheiro a cada ano com a Pixar. Ele chegou a cogitar fechar o setor de animação da empresa (a desculpa para existir um setor de animação era que estas chamariam atenção para os hardwares da empresa). O Oscar para o curta-metragem Tin Toy (a história de um boneco homem-banda que se assustava com um bebê) salvou o departamento, que logo começou a fazer comerciais para tentar gerar alguma receita.

Pouco depois surgiu a proposta da Disney para realizar um longa-metragem. A primeira sinopse tinha como protagonista o homem-banda de Tin Toy. A ideia básica do que viria a ser Toy Story já estava lá: a coisa mais importante para um brinquedo é a companhia de uma criança para brincar. Mas nesse primeiro tratamento, o brinquedo era esquecido num posto de gasolina, encontrava um boneco de ventríloquo e iam parar numa sala de jardim de infância, onde encontram o paraíso e seu final feliz.

Faltava muita coisa. Os dois personagens principais queriam as mesmas coisas, pelos mesmos motivos. Katzenberg, produtor da Disney, sugeriu que o filme seguisse a linha de "48 horas" e "Acorrentados", filmes em que homens unidos pelas circunstâncias e forçados a cooperar acabam se tornando amigos após uma hostilidade inicial.

Com o tempo, os personagens foram tomando suas formas definitivas. Surgiram Woody e Buzz e uma amostra foi exibida para os executivos da Disney, no que foi chamada de sexta-feira negra. A Disney exigiu que a produção parasse até que fosse feito um novo roteiro.

O principal problema estava em Woody, que era uma espécie de tirano dos brinquedos. Numa cena ele sacudia o cão de mola: "Se não fosse por mim, Andy não prestaria a mínima atenção em você!". Em outra cena, ele jogava intencionalmente Buzz pela janela, fechava a cortina e comentava: "Ei, é um mundo de brinquedo comendo brinquedo". Era um personagem antipático, muito longe do líder sábio que apareceria no filme.

Apesar do roteiro estar se ajustando, a produção não era garantida. A Disney alocou um orçamento muito modesto (17 milhões de dólares) e até Jobs achava que iria perder dinheiro com Toy Story. Ele já desperdiçara 50 milhões de dólares com a empresa e concluiu que o melhor era tentar vender. Quando o negócio já estava quase fechado com a Microsoft, ele mudou radicalmente de ideia e resolveu bancar o prejuízo.

As principais fabricantes de brinquedos não se interessaram por Woody e Buzz e o licenciamento ficou nas mãos da pequena Thinkway Toys.

O resultado todo mundo conhece: Toy Story foi um sucesso estrondoso. Jobs fez uma oferta pública de ações da Pixar pouco depois do lançamento do filme e, no final do processo, estava U$ 1,1 bilhão de dólares mais rico - segundo Price, o erro de arrendondamento nesse valor representava praticamente o total de ações da Aple pertencentes a Jobs quando ele deixou a empresa, dez anos antes.

O livro de David Price percorre esse tortuoso caminho do fiasco à fama, mostrando um amplo painel sobre a Pixar. Embora os primeiros capítulos sejam árduos (e o livro não fale de filmes mais recentes, como Up), a partir de determinado ponto, o livro empolga principalmente por mostrar os bastidores de produções que todos aprendemos a amar.

Livro ensina como escrever quadrinhos



O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

quinta-feira, novembro 16, 2017

Dedução e indução

Dedução e indução são dois tipos de raciocínios lógicos usados não só em filosofia, mas também em pesquisas científicas. Abaixo eu explico os dois:


O que é indução?


Indução é o princípio lógico segundo o qual deve-se partir das partes para o todo. Ou seja, ao fazer uma pesquisa, deve-se ir coletando casos particulares e, depois de certo número de casos, pode-se generalizar, dizendo que sempre que a situação se repetir o resultado será o mesmo. Se, por exemplo, eu quero saber a que temperatura a água ferve. Coloco água no fogo e, munido de um termômetro, meço a temperatura. Descubro que a fervura aconteceu a 100 graus centígrados. Repito a experiência e chego ao mesmo resultado. Repito de novo e vou repetindo até chegar à conclusão de que a água sempre ferverá a 100 graus centígrados. Umberto Eco dá um outro exemplo curioso: os sacos de feijões. Vejo um saco opaco sobre a mesa. Quero saber o que tem no mesmo. Uso o método indutivo: vou tirando o conteúdo do saco um a um. Da primeira vez, me deparo com um feijão branco. Na outra tentativa, de novo um feijão branco. Repito a experiência até achar que está bom (ou até acabar a verba). Então extraio uma lei: dentro deste saco só há feijões brancos.

O que é dedução?

A dedução é uma forma de raciocínio científico segundo o qual devemos partir do geral para o particular. Assim, devemos primeiro criar uma lei geral e depois observar casos particulares e verificar se essa lei não é falseada. Para os adeptos da dedução, o cientista não precisa de mil provas indutivas. Basta uma única prova dedutiva para que a lei possa ser considerada válida.
No exemplo do saco, imaginem que o vendedor nos disse que ele estava cheio de feijões brancos. Eu então retiro um feijão de dentro do saco. Se for um feijão branco, então minha hipótese está, por enquanto, correta.
Um problema da dedução é que ela geralmente se origina de induções anteriores. Geralmente fazemos uma lei geral depois de já termos observado casos particulares.

Hoje tem rádio Pop

Cinema, quadrinhos, seriados. Hoje tem rádio Pop, na 96,9 FM. Ou pela internet: http://www.unifap.br/public/index/radio

O mundo hiper-real

A obra de Ron Muek reflete sobre a hiper-realidade

Olhe à sua volta. As propagandas que você vê, os filmes a que você assiste, a comida que você come. Tudo isso parece real, não? Mas não é. Nós deixamos de viver na realidade. Hoje vivemos em um mundo hiper-real.
A hiper-realidade é uma ficção, um simulacro, que é percebido como real. Baudrillard explica usando o exemplo de alguém que simula uma doença. Alguém que finge estar doente está apenas mentindo, mas quem simula chega ao ponto de sentir os sintomas, é como se a doença tivesse se fato se instalado na pessoa, embora ela seja apenas uma criação mental (exemplo disso é a chamada gravidez psicológica).
Na hiper-realidade, portanto, torna-se cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção, o natural do criado pelo homem. Um momento fundamental dessa mistura aconteceu durante os ataques terroristas de 11 de setembro. Aquilo parecia tanto com um filme que na França as transmissões eram acompanhadas do aviso: “Isto não é ficção”.
Essa confusão entre ficção e realidade tem um precedente famoso no Brasil: desde que as novelas estrearam entre nós se tornou comum que os telespectadores confundissem o ator com o personagem. Atores que interpretavam vilões muitas vezes eram insultados e até agredidos na rua.

Mas não é preciso ir muito longe ou mesmo ligar a TV. Abra a geladeira. É possível que você encontre lá cenouras. Podem parecer reais, mas não são. As cenouras reais são feias, murchas, pálidas. Aquelas cenouras bonitas, amarelas, grandes que você provavelmente tem em sua geladeira são uma ficção, uma invenção humana. São cenouras hiper-reais.
Aliás, aí vai mais uma característica da hiper-realidade: ela é muito mais fascinante que a realidade. Há uma anedota sobre isso. Uma mulher elogia a beleza de uma menina, ao que a mãe responde: “Se você acha ela bonita, precisava ver a foto dela!”.
Ainda na geladeira podemos ver isso nas embalagens de produtos congelados. As fotos das embalagens são lindas, irresistíveis, deliciosas. Você abre, é algo completamente diferente. O sanduíche vistoso da embalagem é uma coisa murcha e pequena. A lasanha saborosa, crocante, lustrosa da capa é uma massa gosmenta. As imagens hiper-reais da embalagem são muito mais interessantes que a comida em si.
No cinema então a diferença é gritante. Entramos na sala escura e vemos mundos extraterrestres extraordinários e acreditamos neles mais do que acreditamos no mundo lá fora. Até mesmo em filmes urbanos, como 50 tons, a fotografia hiper-real faz com que tudo seja fascinante, romântico, perfeito como o mundo real jamais será.
As também as pessoas se tornam hiper-reais. Um vídeo viralizou na internet ao mostrar todo o processo pelo qual passam as modelos de propagandas: da luz à maquiagem, passando pela manipulação digital, que as torna mais magras, esguias, tira manchas, espinhas, tornando-a perfeita segundo o um padrão de beleza estabelecido. E essa mulher hiper-real se torna o modelo a ser seguido, um modelo inalcançável.

Aliás, a mulher perfeita, hiper-real não está apenas nos anúncios. Ela existe em carne em osso. Ou melhor, em silicone. São as real dolls, novas bonecas sexuais produzidas ao gosto do freguês, que escolhe a cabeça, o tronco, os seios, as pernas até montar sua mulher ideal.
Os fabricantes perceberam, no entanto, que muitos homens não se excitavam com mulheres “reais”, mas com suas versões em anime ou mangá. Isso abriu um novo mercado: o de bonecas sexuais baseadas em personagens de animes. Ou seja: o simulacro do simulacro.
Na mão inversa desse fenômeno, surge um outro: mulheres que fazem de tudo para se parecerem com bonecas, como no caso da Barbie humana, que realizou diversas cirurgias para ficar o mais parecida possível com a famosa boneca. Em redes sociais como o Facebook é possível encontrar grupos de garotas que dão dicas de maquiagens, roupas e outras para quem pretende incorporar uma boneca.
Em tempos de internet, até a identidade se torna hiper-real, sendo definida pelo que as pessoas postam nas redes sociais. E geralmente essas publicações são escolhidas e pensadas pela imagem que irão passar. A maioria das pessoas escolhe as melhores fotos, os melhores momentos. No Facebook todo mundo é feliz e todos vivem em eternas férias. Essa situação foi aproveitada por uma designer holandesa que se fechou em sua casa durante um mês e, manipulando fotos, simulou uma viagem ao redor do mundo. Todos de seu círculo de amizade acreditaram.

Esse é o mundo em que vivemos: um mundo hiper-real em que modelo se sobrepõe ao original, em que imagens perdem seus referentes, em que é cada vez mais difícil distinguir ficção de realidade.